Ransomware aparece em painel de segurança com alertas vermelhos, sistemas bloqueados e rede global de vítimas.

Ataques de ransomware atingiram 791 organizações em maio de 2026, uma queda de 9,1% em relação às 870 vítimas registradas em abril, segundo dados da plataforma Ransomware.live, compilados por Julien Mousqueton, executivo da Cohesity. Os Estados Unidos lideraram os alvos com 309 casos, enquanto o setor de educação entrou pela primeira vez no ranking dos dez segmentos mais afetados. Apesar da leve retração mensal, o volume permanece historicamente elevado e reforça o alerta para equipes de TI e cibersegurança em todo o mundo.

Os ataques de ransomware não dão trégua. Em maio de 2026, 791 organizações tiveram seus dados expostos em sites de vazamento operados por grupos criminosos, de acordo com dados da plataforma Ransomware.live, iniciativa do especialista Julien Mousqueton, executivo da Cohesity. O número representa uma queda de 9,1% em relação às 870 vítimas contabilizadas em abril, mas não significa alívio para quem atua em TI e cibersegurança.

Para colocar o dado em perspectiva: entre junho e setembro de 2025, o volume mensal de vítimas oscilou entre 501 e 598 casos. Maio de 2026 ficou apenas ligeiramente abaixo do pico recente de 882 vítimas registrado em dezembro. O cenário, portanto, permanece criticamente elevado.

Estados Unidos concentram quatro em cada dez ataques

A geografia dos ataques revela uma concentração preocupante. Os Estados Unidos responderam por 309 das 791 vítimas em maio, o equivalente a 39,1% do total global. Na sequência aparecem Reino Unido, com 49 casos, e Alemanha, com 41. Canadá (32), Espanha (23) e Austrália (20) completam o grupo de países mais afetados no período.

O padrão não surpreende analistas: economias desenvolvidas, com maior número de empresas digitalizadas e maior capacidade de pagamento de resgate, continuam sendo o alvo preferencial dos operadores de ransomware. A lógica criminosa é simples — onde há mais valor, há mais incentivo para atacar.

Manufatura lidera vítimas; educação estreia no ranking

Do ponto de vista setorial, o segmento B2B registrou o maior volume de vítimas em maio, com 160 casos. A manufatura aparece em segundo lugar, com 103 organizações afetadas. Tecnologia (71), saúde (68) e agricultura e produção de alimentos (39) completam os cinco setores mais visados.

O dado que mais chama atenção, no entanto, é a estreia do setor de educação entre os dez mais afetados. Com 28 vítimas em maio, o segmento entra pela primeira vez nesse ranking — um sinal de que os grupos criminosos estão ampliando seus alvos para além das cadeias produtivas tradicionais.

Para executivos de TI em instituições de ensino, o recado é direto: a percepção de que universidades e escolas não são alvos prioritários de ransomware precisa ser revista com urgência.

Fragmentação do ecossistema RaaS complica a defesa

Um dos movimentos mais relevantes observados em maio foi a fragmentação contínua do ecossistema de ransomware-as-a-service (RaaS). Quatro grupos divulgaram suas primeiras vítimas no período, e nove novos agentes apareceram em sites de vazamento — indicando que a barreira de entrada para operar ransomware segue baixa.

Ao mesmo tempo, 15 grupos antes ativos ficaram inativos em maio. A causa varia: pressão policial, dissolução interna ou simples mudança de identidade para escapar do radar das autoridades. Esse ciclo de surgimento e desaparecimento rápido de grupos torna o trabalho de inteligência de ameaças significativamente mais complexo.

O modelo RaaS, em essência, funciona como uma franquia do crime. Desenvolvedores criam e alugam o código malicioso para afiliados, que executam os ataques e dividem o lucro. Isso multiplica os vetores de risco sem exigir conhecimento técnico avançado dos atacantes.

Primeiro trimestre de 2026 já é o segundo maior da história

Os dados de maio se somam a um contexto ainda mais alarmante. Segundo levantamento da Check Point Software, o primeiro trimestre de 2026 registrou 2.122 organizações com dados expostos em plataformas de extorsão de ransomware — o segundo maior volume já registrado para o período em toda a série histórica.

A Cohesity, empresa que compila e divulga parte desses dados, atende clientes em mais de 140 países, incluindo 70% das empresas da Fortune Global 500. A amplitude da base monitorada confere peso adicional às estatísticas apresentadas.

O que os dados exigem das equipes de segurança

Para líderes de TI e cibersegurança, a leitura dos dados de maio aponta para algumas prioridades concretas. A fragmentação do ecossistema RaaS exige monitoramento contínuo de ameaças emergentes, já que grupos novos operam com táticas ainda não mapeadas pelas ferramentas de defesa tradicionais.

A entrada da educação no ranking de setores mais afetados reforça que nenhum segmento está imune. Manufatura, saúde e tecnologia — historicamente no topo das listas — precisam manter atenção redobrada, mas o alerta agora se estende a qualquer organização com dados sensíveis e infraestrutura digital, independentemente do porte ou do setor.

Estratégias de backup imutável, detecção precoce com inteligência artificial, gestão rigorosa de vulnerabilidades e planos robustos de resposta a incidentes deixaram de ser diferenciais competitivos. Em 2026, são requisitos mínimos para quem leva segurança a sério.

O volume de 791 vítimas em um único mês não é uma estatística abstrata. Por trás de cada número há uma organização paralisada, dados comprometidos, operações interrompidas e, frequentemente, decisões difíceis sobre pagar ou não resgates milionários. O ransomware segue sendo uma das ameaças mais concretas e custosas que qualquer executivo de TI enfrenta hoje.

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