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A evolução do ecossistema de TI está redefinindo o papel do CIO nas empresas. Em um cenário no qual tecnologia, dados, ERP, cloud e inteligência artificial se tornam cada vez mais interdependentes, a liderança de tecnologia passa a atuar menos como gestora de contratos isolados e mais como orquestradora de uma rede complexa de fornecedores, plataformas e prestadores de serviço.
O tema foi debatido no segundo episódio da segunda temporada do Jornada CIO, uma colaboração entre o Itshow e a Lozinsky Consultoria. A conversa contou com Rui Botelho, presidente da SAP Brasil, e Sérgio Lozinsky, fundador da Lozinsky Consultoria, que discutiram maturidade, governança, integração, responsabilidade dos fornecedores e geração de valor no ecossistema corporativo de tecnologia.
CIO assume função de orquestrador do ecossistema de TI
Na abertura do episódio, Sérgio Lozinsky destacou que a TI corporativa passou por uma transformação profunda nas últimas décadas. Segundo ele, as áreas de tecnologia eram mais internalizadas no passado, mas esse modelo mudou radicalmente.
“Hoje é praticamente impossível ter uma área de TI que seja eficaz, que seja eficiente, sem construir esse conceito de ecossistema”, afirmou Lozinsky.
Para o consultor, o CIO passou a ter uma função estratégica na coordenação dessa rede. “O CIO tem um papel extremamente importante como orquestrador desse ecossistema”, disse. Na avaliação dele, a escolha de fornecedores e prestadores de serviço deixou de ser apenas uma etapa de contratos, seleções ou licitações e passou a fazer parte de um processo mais amplo de evolução da TI no longo prazo.
Lozinsky também explicou que a nova temporada da Jornada CIO busca ouvir o lado dos fornecedores de tecnologia. Depois de uma etapa anterior focada na visão dos líderes de TI, o objetivo agora é compreender também os propósitos, metas, dificuldades e desafios das empresas que fornecem soluções ao mercado corporativo.
SAP vê sistemas de missão crítica no centro da integração
Rui Botelho afirmou que empresas como a SAP ocupam uma posição sensível dentro do ecossistema porque seus sistemas estão, em muitos casos, no centro de processos críticos.
“Os sistemas da SAP são sistemas, via de regra, de missão crítica”, afirmou Botelho. Segundo o executivo, essas soluções podem estar presentes no back-office, na produção, no atendimento ao cliente e em outras áreas essenciais para a operação das companhias.
Para Botelho, a responsabilidade do fornecedor não termina na venda da tecnologia. Ela começa na definição correta da solução, passa pela implementação, pela adoção, pelo suporte e segue ao longo de toda a jornada do cliente.
O presidente da SAP Brasil também ressaltou que a complexidade aumentou porque as empresas não dependem mais de sistemas monolíticos ou de poucos fornecedores. Hoje, a arquitetura corporativa envolve múltiplas soluções que precisam se conectar. Nesse contexto, Botelho afirmou que a SAP tem investido em plataformas mais abertas e em camadas de integração para facilitar a conexão com outros componentes do ambiente tecnológico dos clientes.

Ao comentar a relação entre fornecedores, Botelho defendeu que colaboração é uma palavra-chave para o setor. “Colaborar é muito mais barato, melhor do que competir”, afirmou.
Maturidade do cliente ainda desafia fornecedores
Um dos pontos centrais do episódio foi a maturidade das empresas que contratam soluções de tecnologia. Lozinsky afirmou que muitos clientes ainda têm dificuldade para compreender o papel de cada componente dentro do ecossistema e, por isso, podem criar expectativas distorcidas em relação aos fornecedores.
Botelho reconheceu o desafio e afirmou que fabricantes, integradores e consultorias precisam entender o momento de cada empresa antes de propor uma jornada tecnológica. Para ele, é possível desenhar roadmaps robustos, mas a adoção precisa respeitar a capacidade real de absorção do cliente.
“O que nós aqui temos responsabilidade, tanto o fabricante como as empresas do ecossistema, é de entender o momento daquele cliente, o nível de maturidade que ele tem e criar um roadmap de adoção”, disse Botelho.
O episódio também trouxe um dado da pesquisa Jornada CIO: 52% dos CIOs apontaram que perdem tempo com fornecedores que tentam empurrar produtos em vez de entender seus problemas reais. Para Lozinsky, esse número mostra que ainda existe uma distância entre a pressão comercial dos fornecedores e a necessidade de uma abordagem consultiva, orientada a negócio.
Botelho observou que a indústria vem mudando seus incentivos. “O vendedor não tem mais só a missão de vendas”, afirmou. Segundo ele, além dos objetivos comerciais, profissionais de vendas também passam a ser cobrados pela entrega e pela adoção da solução.
Implementação depende de preparação, governança e mudança cultural
A conversa também abordou os fatores críticos para o sucesso de projetos de implementação, especialmente em ambientes de ERP. Para Lozinsky, os primeiros passos de um projeto são determinantes.
“O sucesso da implantação de uma solução de tecnologia está muito mais nos primeiros passos do que depois”, afirmou o consultor.
Segundo ele, a preparação deve incluir escopo bem definido, planejamento detalhado, envolvimento de usuários-chave, workshops de processos, integração de terceiros e alinhamento entre todas as partes. Lozinsky alertou que muitos projetos avançam rapidamente para etapas técnicas, como configuração, migração de dados e testes, sem que o entendimento de negócio tenha sido amadurecido.
Botelho concordou com a avaliação e associou esse processo à gestão de mudanças. Para o presidente da SAP Brasil, cliente, implementador, fornecedor de software, infraestrutura e demais parceiros precisam atuar como um único time desde o início.
IA amplia urgência da governança de dados
A inteligência artificial apareceu como tema transversal do episódio. Botelho destacou que muitas empresas passaram por uma fase inicial de experimentação motivada pelo receio de ficar fora do movimento de IA. Agora, segundo ele, o mercado entra em um momento de execução e escala, no qual governança de dados, segurança e conformidade se tornam indispensáveis.
“Se eu não tiver os dados corretos e a governança de dados correta, eu não consigo utilizar a IA com o benefício que eu espero”, afirmou Botelho.

O executivo também chamou atenção para o papel dos dados que estão nos sistemas de ERP. Sem saneamento, gestão de dados mestres e controle de acesso, projetos de IA podem gerar resultados inconsistentes ou até expor informações sensíveis.
Lozinsky complementou que a IA traz uma nova fase para os fornecedores de ERP. Na visão dele, se antes o ERP era visto principalmente como uma base estruturada de dados e processos, agora ele se torna peça central para viabilizar inteligência aplicada ao negócio.
ROI e valor de negócio seguem como cobrança central
Na parte final do episódio, os convidados discutiram a dificuldade de medir o valor real gerado por projetos de tecnologia. Botelho citou clientes como Natura, Dexco e São Salvador como exemplos de jornadas em que a formação de ecossistemas bem coordenados contribuiu para evolução tecnológica, expansão de arquitetura e novas etapas de transformação.
Lozinsky, por outro lado, chamou atenção para frustrações recorrentes de CFOs. Segundo ele, em muitos casos, projetos de ERP ou transformação digital são aprovados com promessas de economia, ganho de produtividade ou redução de headcount, mas esses resultados nem sempre aparecem de forma clara após a implantação.
Para o consultor, isso ocorre porque o projeto não termina no go-live. “Enquanto não chegar naquele ROI que a gente combinou, o projeto não acabou”, afirmou.
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