Ataque de ransomware atinge os sistemas da Lojas Renner, interrompendo parte da operação e acionando protocolos de segurança digital.

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A Lojas Renner informou nesta quinta-feira, 18, que sofreu nesta data um ataque cibernético em seu sistema (ransomware), o que provocou indisponibilidade em parte de seus sistemas e operação e prontamente acionou seus protocolos de controle e segurança para bloquear o ataque e minimizar eventuais impactos.

Em 19 de agosto de 2021, a Lojas Renner acordou com uma crise sem precedentes em sua história digital. Um ataque ransomware — modalidade de sequestro de dados que criptografa sistemas e exige resgate para liberá-los — derrubou o site, o aplicativo e toda a plataforma de e-commerce da varejista gaúcha. O impacto se estendeu às marcas Camicado e Ashua, além da Realize, o braço financeiro do grupo.

Aproximadamente 1.300 servidores foram criptografados pelos invasores. O pedido de resgate chegou a US$ 1 bilhão cerca de R$ 5,4 bilhões na cotação da época a ser pago em criptomoedas. A Renner negou ter cedido à extorsão.

Como o ataque aconteceu e o que foi afetado

A suspeita inicial dos especialistas apontou para os servidores da matriz da Renner, em Porto Alegre. A Tivit, empresa de tecnologia prestadora de serviços à varejista, negou que seus data centers tenham sido comprometidos, o que indicou que o vetor de entrada foi interno à infraestrutura da própria Renner.

Nas lojas físicas, as atividades não foram interrompidas, embora o sistema de cartões tenha apresentado lentidão. O e-commerce, contudo, ficou fora do ar durante o fim de semana. A equipe de TI trabalhou ininterruptamente para reconstruir o ambiente contaminado e restaurar as operações digitais.

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A empresa declarou que os principais bancos de dados permaneceram preservados e que não houve confirmação de vazamento de dados pessoais de clientes. Ainda assim, o Procon-SP notificou a Renner, exigindo explicações formais sobre o incidente um sinal claro de que a pressão regulatória sobre incidentes cibernéticos havia mudado de patamar.

O contexto que amplificou o impacto: LGPD e crescimento dos ataques

O ataque à Renner não ocorreu em um vácuo. Ele aconteceu exatamente no mês em que as sanções da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) entraram em vigor no Brasil transformando o caso em um teste público sobre a maturidade das empresas brasileiras em segurança da informação.

O cenário de ameaças já era alarmante. Ataques cibernéticos contra empresas brasileiras cresceram 220% no primeiro semestre de 2021 em relação ao mesmo período de 2020, segundo dados da CVM. No mesmo ano, a PSafe registrou 41 milhões de bloqueios a malwares e mais de 5.000 tentativas por hora só no Brasil.

Globalmente, o ransomware havia se tornado uma indústria. Segundo a Unit 42, os valores médios de resgate cresceram 82% em 2021, atingindo uma média de US$ 570 mil por ataque. O mercado global de ransomware gerou mais de US$ 20 bilhões em receita naquele ano, de acordo com Marco DeMello, CEO da PSafe.

O caso Renner surgiu poucos meses após a JBS, maior processadora de carnes do mundo, pagar US$ 11 milhões em Bitcoin para recuperar seus sistemas após um ataque similar. O padrão estava claro: nenhuma empresa de grande porte estava imune.

Lições para CISOs e líderes de TI

O incidente na Renner revelou vulnerabilidades que vão além de falhas técnicas pontuais. Especialistas em cibersegurança passaram a citar o caso como exemplo da necessidade de uma abordagem integrada que combine pessoas, tecnologia e processos a chamada tríade da segurança da informação.

Entre as medidas apontadas como prioritárias após o episódio estão a adoção de backups seguros e isolados da rede principal, a implementação de DNS Firewalls para bloquear comunicação maliciosa, e políticas rigorosas de controle de acesso e segmentação de rede. A velocidade com que os atacantes conseguiram criptografar 1.300 servidores sugere que o movimento lateral dentro da rede foi facilitado por permissões excessivas ou ausência de segmentação eficaz.

O fato de as lojas físicas terem continuado operando indica que a Renner possuía algum nível de resiliência operacional. No entanto, a dependência crescente do varejo pelo canal digital tornou a paralisação do e-commerce um golpe significativo tanto em receita quanto em reputação. A ação LREN3 chegou a cair cerca de 1,5% na Bolsa na sexta-feira seguinte ao ataque, encerrando a sessão a R$ 38,87.

Para líderes de TI e segurança em grandes organizações, o caso Renner reforça uma premissa que o mercado ainda resiste em internalizar plenamente: a questão não é se a empresa será atacada, mas quando. A velocidade de detecção, contenção e resposta é o que diferencia um incidente gerenciável de uma crise institucional.

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