Gastos mundiais com TI representados por executivos analisando investimentos globais em nuvem, data centers, IA, software e cibersegurança.

Os gastos mundiais com TI devem alcançar US$ 6,37 trilhões em 2026, crescimento de 14,2% em comparação com o ano anterior. A nova projeção do Gartner reforça uma mudança estrutural no mercado de tecnologia, com a maior parcela da expansão concentrada em infraestrutura preparada para inteligência artificial, computação em nuvem e aplicações que exigem elevada capacidade de processamento.

Em outubro de 2025, o Gartner calculava que o mercado movimentaria US$ 6,08 trilhões em 2026, com alta de 9,8%. Em abril deste ano, a projeção foi elevada para US$ 6,31 trilhões e crescimento de 13,5%. A atualização de julho aumenta novamente o valor esperado, evidenciando a aceleração dos investimentos associados à inteligência artificial.

Sistemas de data center lideram o crescimento

O segmento de sistemas de data center deverá apresentar o maior avanço entre as categorias analisadas. Os investimentos devem passar de US$ 506 bilhões em 2025 para US$ 822 bilhões em 2026, uma expansão de 62,5%.

O movimento está relacionado à construção de capacidade computacional para treinamento e operação de modelos de inteligência artificial, processamento de grandes volumes de dados e oferta de serviços digitais de alta intensidade. Servidores otimizados, aceleradores, sistemas de armazenamento, redes de baixa latência e memória de alto desempenho passaram a ocupar uma parcela maior dos projetos corporativos.

Hiperescaladores, provedores de nuvem e grandes organizações estão ampliando data centers para atender aplicações de IA generativa, automação avançada, análise de dados e agentes digitais. Na avaliação do Gartner, a criação da capacidade necessária para suportar essas cargas representa o maior projeto de infraestrutura já realizado pela humanidade.

A expansão também aumenta a pressão sobre fornecimento de energia, disponibilidade de componentes, eficiência de refrigeração e localização das instalações. Dessa forma, a ampliação da capacidade deixa de ser apenas uma aquisição de hardware e passa a envolver contratos energéticos, planejamento territorial, sustentabilidade e arquitetura tecnológica de longo prazo.

IaaS amplia participação nos investimentos

A infraestrutura como serviço, conhecida pela sigla IaaS, aparece como outro vetor relevante. Os investimentos nessa categoria devem alcançar US$ 287 bilhões em 2026, avanço de 29,3% sobre o ano anterior.

A procura aumenta porque empresas podem contratar capacidade computacional conforme a demanda, sem assumir integralmente os custos de construção, atualização e manutenção de ambientes próprios. O modelo também facilita a realização de testes e a expansão de aplicações que apresentam variações no consumo de processamento.

Entretanto, o acesso simplificado à infraestrutura pode elevar rapidamente as despesas. Projetos de inteligência artificial utilizam grandes volumes de armazenamento, memória e processamento, tornando necessário acompanhar continuamente o consumo dos serviços contratados.

O gerenciamento financeiro da nuvem, a definição de limites de utilização e a análise do custo por aplicação passam a ser necessários para evitar desperdícios e cobranças inesperadas.

Software corporativo mantém ritmo elevado

O mercado de software corporativo também deverá apresentar crescimento expressivo. A previsão indica investimentos de US$ 1,468 trilhão em 2026, aumento de 15,5%.

Parte desse avanço está relacionada à incorporação de funcionalidades de inteligência artificial em plataformas já utilizadas pelas organizações. Sistemas de gestão, ferramentas de produtividade, soluções de segurança, ambientes de desenvolvimento e plataformas de atendimento passaram a oferecer recursos baseados em modelos generativos.

A introdução dessas funcionalidades também modifica os contratos de licenciamento. Recursos que anteriormente faziam parte dos pacotes tradicionais podem ser comercializados como módulos adicionais, cobrados por usuário, consumo ou quantidade de processamento.

Sem uma política de governança, a adoção pode gerar duplicidade de ferramentas, aumento de assinaturas e dificuldade para demonstrar retorno financeiro. Por esse motivo, decisões de compra precisam considerar integração, utilização real, segurança dos dados e contribuição para os resultados corporativos.

Mercado de tecnologia cresce em velocidades diferentes

Apesar do avanço dos gastos mundiais com TI, os benefícios não serão distribuídos igualmente entre os segmentos. Serviços de comunicação devem crescer 4,4%, alcançando US$ 1,354 trilhão, enquanto os serviços de tecnologia devem avançar 5,3%, para US$ 1,570 trilhão.

Já os investimentos em dispositivos devem chegar a US$ 868 bilhões, com expansão de 9,8%. Os números mostram um mercado dividido entre áreas diretamente beneficiadas pela inteligência artificial e categorias tradicionais que apresentam uma evolução mais moderada.

Inflação, restrições no fornecimento de semicondutores, aumento dos preços de memória e mudanças nas prioridades empresariais continuam pressionando o orçamento de tecnologia. Assim, mesmo diante do crescimento geral, diversas companhias precisarão redistribuir recursos internos para financiar projetos relacionados à IA.

CIOs precisam equilibrar capacidade e retorno

A expansão dos investimentos coloca os CIOs diante de duas demandas simultâneas. A primeira consiste em garantir infraestrutura suficiente para suportar inteligência artificial, automação e modernização de sistemas. A segunda está relacionada ao controle dos custos e à comprovação dos resultados entregues.

A decisão não se limita à escolha entre infraestrutura própria e nuvem. Também devem ser avaliados requisitos de segurança, soberania de dados, localização das cargas, latência, consumo energético, dependência de fornecedores e capacidade de migração.

Ambientes híbridos e multicloud podem oferecer maior flexibilidade, mas aumentam a complexidade operacional. Quanto maior o número de plataformas utilizadas, maior será a necessidade de observabilidade, padronização e controle centralizado.

Também será necessário priorizar casos de uso capazes de produzir efeitos mensuráveis. Projetos voltados apenas para ganhos individuais de produtividade podem apresentar retorno limitado quando não modificam processos, decisões, receitas ou experiência do cliente.

Governança passa a orientar os investimentos

Com os gastos mundiais com TI em trajetória de alta, práticas como FinOps, gestão de ativos, racionalização de aplicações e acompanhamento de contratos passam a ocupar espaço maior na estratégia empresarial.

A aproximação entre tecnologia, finanças, segurança e áreas de negócio permite avaliar todo o ciclo de vida de uma solução. Além do investimento inicial, precisam ser considerados integração, armazenamento, processamento, treinamento de profissionais, manutenção e eventual desativação.

A projeção do Gartner mostra que 2026 será marcado por forte expansão do mercado, mas com concentração evidente em infraestrutura de IA, data centers, nuvem e software avançado. Para as organizações, o desafio será transformar o aumento da capacidade computacional em eficiência, inovação e resultados sustentáveis, mantendo controle sobre despesas, dependências e riscos.

Assine a nossa News e siga o Itshow nas redes sociais para ficar por dentro de todas as notícias do setor de TI e Cibersegurança!