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O Quinto episódio reúne Clara Bidorini, da AWS, e Cristiane Tarricone, da TGT-ISG e MCIO, para discutir liderança, aprendizagem contínua, networking e o impacto da IA nas carreiras e o profissional do futuro.
O avanço da inteligência artificial está transformando as ferramentas utilizadas pelas empresas, a organização das equipes e as competências exigidas dos profissionais de tecnologia. Esse novo cenário orienta o episódio do MCIO Talks, podcast oficial da MCIO, apresentado por Cláudia, executiva de tecnologia, com o host de Marcio Montagnani, apresentador e colunista do portal Itshow.
O episódio recebe Clara Bidorini, executiva de tecnologia na AWS, Amazon Web Services, e chair do Women@AWS, grupo voluntário dedicado à agenda de gênero e ao fortalecimento da presença feminina. Clara também atua como professora de design estratégico, investidora e mentora de empreendedoras.
A segunda convidada é Cristiane Tarricone, vice-presidente da MCIO e pesquisadora da TGT-ISG, onde acompanha os ecossistemas de nuvem da Microsoft e da Oracle, além de temas ligados ao futuro do trabalho, workplace e inteligência artificial. Com mais de quatro décadas de experiência em tecnologia, Cristiane também foi vice-presidente dos programas executivos do Gartner por mais de dez anos e atua como conselheira, professora, mentora e empreendedora.
Ao longo da conversa, as executivas analisam quais habilidades devem orientar o profissional do futuro diante da aceleração tecnológica. Adaptabilidade, curiosidade, humildade para aprender, pensamento crítico, capacidade de ouvir e conexão entre tecnologia e negócio aparecem como elementos essenciais para construir carreiras sustentáveis.
Tecnologia precisa responder às necessidades do negócio
Ao relembrar o início da carreira, Cristiane conta que começou a trabalhar em tecnologia aos 16 anos e teve sua formação profissional diretamente ligada à infraestrutura e aos data centers. Embora o conhecimento técnico tenha sido fundamental naquele momento, ela percebeu ao longo da trajetória que a tecnologia só produz resultados quando está conectada às necessidades reais das pessoas e das organizações.
“A tecnologia, pela tecnologia, não resolve nada. Na verdade, quem entrega valor são as pessoas. As pessoas entregam valor através da tecnologia”, afirma Cristiane Tarricone.
Para a executiva, um dos principais diferenciais do profissional do futuro será a capacidade de ouvir o cliente, compreender problemas e traduzir conhecimento técnico em soluções de negócio. Essa habilidade permite identificar resistências, necessidades não atendidas e características específicas das operações que podem comprometer a adoção de uma tecnologia.
A discussão reforça que uma solução tecnicamente avançada pode falhar quando não considera o contexto em que será utilizada. Por isso, profissionais de TI precisam ampliar sua compreensão sobre pessoas, processos e objetivos estratégicos.
Adaptabilidade e aprendizagem contínua ganham importância
Clara Bidorini relaciona sua formação em arquitetura à capacidade de observar problemas por diferentes camadas. Antes de atuar diretamente no setor de tecnologia, ela estudou arquitetura em Milão e Lisboa e acumulou experiências profissionais e pessoais em diferentes países.
Segundo Clara, essa trajetória multicultural e multidisciplinar contribuiu para desenvolver uma postura aberta à mudança, à experimentação e à descoberta de novos caminhos.
“A vontade de aprender, talvez, seja uma das coisas mais importantes, junto com a humildade”, diz Clara Bidorini.
Na avaliação da executiva, o mercado ainda trabalha com uma ideia fictícia de controle. Empresas e profissionais planejam projetos e carreiras considerando que determinadas condições continuarão estáveis durante anos, embora mudanças econômicas, tecnológicas e sociais possam alterar rapidamente essas premissas.
O profissional do futuro, portanto, não será aquele que consegue prever todas as transformações, mas quem mantém a disposição de aprender, revisar crenças e adaptar decisões. A humildade é apresentada como condição para colocar conhecimentos anteriores em perspectiva e compreender o que uma nova realidade exige.
Lideranças terão de administrar pessoas e agentes de IA
O episódio também aborda a transformação do papel das lideranças. Com agentes de inteligência artificial assumindo tarefas como consolidação de dados, produção de relatórios e análise de informações, gestores deverão reduzir o foco no acompanhamento manual dos processos.
Cristiane avalia que os líderes precisarão desenvolver a capacidade de formular perguntas, interpretar desvios e tomar decisões em contextos de maior ambiguidade. Em vez de controlar todas as etapas de uma atividade, o gestor deverá acompanhar pessoas, resultados e sistemas inteligentes.
Esse cenário exige uma mudança profunda em lideranças acostumadas a associar gestão à presença física ou ao controle direto das equipes. O trabalho híbrido e a automação reduzem a efetividade de modelos baseados exclusivamente na supervisão.

“O que nos trouxe até aqui não nos levará adiante”, afirma Cristiane, ao defender a necessidade de desaprender crenças e comportamentos que funcionaram em outros momentos da carreira.
Para o profissional do futuro, saber desaprender será tão relevante quanto adquirir novos conhecimentos. A experiência continuará valiosa, mas precisará ser constantemente reinterpretada diante de novas ferramentas e formas de trabalho.
Pensamento crítico diferencia pessoas e máquinas
Embora a inteligência artificial seja capaz de reconhecer padrões e produzir respostas rapidamente, as convidadas destacam que a responsabilidade sobre a avaliação dos resultados continua sendo humana.
Clara explica que um sistema pode responder ao briefing recebido sem identificar que a própria solicitação está incompleta ou foi formulada de maneira inadequada. A IA tende a gerar um output, mas não necessariamente reconhece se a resposta realmente resolve o problema original.
“O único elemento que conseguia identificar quando um problema não estava de fato resolvido, apesar de ter recebido um output final, era o ser humano”, afirma Clara.
Por isso, o pensamento crítico aparece como uma das competências centrais do profissional do futuro. Não basta saber utilizar uma ferramenta de IA ou criar comandos. É necessário verificar informações, questionar premissas, reconhecer limitações e assumir a autoria sobre o resultado.
Cristiane também alerta para conteúdos produzidos integralmente por IA e publicados sem revisão. Segundo ela, muitas vezes é possível perceber quando um texto não representa a experiência ou a identidade profissional de quem o publica.
A inteligência artificial deve ser utilizada para acelerar atividades, apoiar análises e ampliar a capacidade humana. Ela não elimina a necessidade de conhecimento, experiência e coerência entre o discurso e a atuação real.
Networking precisa ir além das conexões digitais
Outro eixo do episódio é a importância das relações profissionais. Cristiane diferencia networking, mentoria e sponsorship. Para ela, uma conexão no LinkedIn não representa necessariamente uma relação profissional de confiança.
A mentoria oferece aconselhamento e apoio ao desenvolvimento. O sponsor, por outro lado, utiliza sua influência para defender o profissional em ambientes de decisão e abrir oportunidades.
“Ele te coloca na sala quando você não está presente. Ele advoga pelo seu trabalho”, explica Cristiane.
A construção desse apoio depende de entrega, credibilidade e visibilidade. Um profissional precisa cumprir compromissos, demonstrar resultados e garantir que as pessoas certas compreendam o impacto de sua atuação.
Clara acrescenta que o networking não deve ser baseado apenas na busca por benefícios individuais “Nada cresce no extrativismo”, afirma.
Para ela, comunidades verdadeiras são formadas por pessoas que compartilham um propósito e mantêm relações contínuas de contribuição, aprendizagem e apoio. Esse conceito está presente tanto no trabalho desenvolvido pelo Women@AWS quanto nas iniciativas da MCIO.
Mulheres podem ampliar seu protagonismo na inteligência artificial
O debate sobre o profissional do futuro também está diretamente conectado ao propósito da MCIO de aumentar a representatividade feminina nas carreiras de tecnologia.
Cristiane destaca que muitas mulheres e jovens ainda não enxergam a tecnologia como uma possibilidade profissional. Programas de capacitação, mentoria, comunidades e parcerias com empresas podem mostrar novos caminhos e contribuir para o desenvolvimento de talentos.
As convidadas alertam ainda para a necessidade de ampliar a diversidade entre as pessoas responsáveis pelo desenvolvimento e treinamento de sistemas de IA. Se os modelos forem criados apenas por grupos homogêneos, existe o risco de reproduzir vieses já presentes na sociedade.
Competências como criatividade, escuta, colaboração, coragem e capacidade de navegar por diferentes contextos tendem a ganhar importância nesse novo cenário. O profissional do futuro será formado não apenas pelo domínio de ferramentas, mas pela capacidade de conectar tecnologia, negócio e humanidade.
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