Saúde do solo analisada com inteligência artificial em lavoura brasileira, com profissional utilizando tablet para monitorar raízes e produtividade.

Com tecnologias de ponta, Embrapa une inteligência artificial e biologia para regenerar o solo, corrigir décadas de degradação e garantir a força da agricultura familiar ao lado do agronegócio. O Brasil, já líder mundial em soja, quer também liderar a ciência dos solos, e a contabilidade dos ativos biológicos, regida pelo NBC TG 41 (IAS 41), é peça-chave nessa transformação.

A nova fronteira do agronegócio brasileiro

Quem vê o Brasil colher mais de 180 milhões de toneladas de soja na última safra, ocupando o posto de maior produtor e exportador global, pode imaginar que a receita é antiga e conhecida. Mas a verdade, guardada nos laboratórios e campos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), é muito mais ousada: a nova fronteira do agro brasileiro não está no desmatamento, nem na expansão da fronteira agrícola, está embaixo dos nossos pés, na ciência do solo, e utiliza a inteligência artificial como principal aliada. E, para completar o ciclo, a contabilidade entra em cena para mensurar, com precisão, o valor real dos ativos biológicos que movem a economia do país, seguindo rigorosamente o NBC TG 41 – Ativo Biológico.

Após cinco décadas de uma agricultura intensiva que, em muitos casos, exauriu a terra, o Brasil se prepara para corrigir os erros do passado. A aposta é na regeneração, e a ferramenta é o conhecimento biológico aliado à mensuração financeira transparente.

Plataforma Saúde do Solo BR transforma dados em produtividade

Durante anos, o manejo convencional, baseado em revolvimento intenso do solo, uso excessivo de fertilizantes químicos e agroquímicos, resultou em um fenômeno silencioso: o adoecimento do solo. Perdeu-se matéria orgânica, diminuiu-se a atividade da microbiota essencial, e a produtividade passou a depender cada vez mais de insumos externos.

Para corrigir esse rumo, a Embrapa lançou a Plataforma Saúde do Solo BR, uma ferramenta digital inédita que reúne dados de mais de 56 mil amostras de solos de 1.502 municípios de todo o país. Pela primeira vez, indicadores biológicos (como a atividade de enzimas do solo), físicos (textura) e químicos (fertilidade) foram integrados para gerar um diagnóstico preciso e georreferenciado. O impacto é revolucionário.

Estudos da própria Embrapa mostram que a cada 1% de aumento em solos considerados “doentes”, o produtor perde, em média, 3,1 kg de soja por hectare. Ou seja, a saúde do solo não é mais um conceito ecológico abstrato, mas um fator matemático de lucro e produtividade. A plataforma já categoriza áreas como “saudáveis”, “em recuperação” ou “adoecendo”, orientando produtores sobre onde e como agir.

Inteligência artificial acelera o diagnóstico do solo

Diagnosticar é o primeiro passo. Para tratar, a Embrapa e seus parceiros estão colocando em campo a inteligência artificial generativa. Diferente dos métodos tradicionais, que levam dias para analisar uma amostra, a nova tecnologia SpecSolo usa espectroscopia e IA para analisar dezenas de parâmetros do solo em apenas 30 segundos. Isso permite um monitoramento em tempo real, algo impensável até pouco tempo atrás. Além disso, projetos como o SORaIA e o Semear Digital integram dados de solo, clima, genética de cultivares e práticas de manejo para gerar recomendações técnicas personalizadas e simulações produtivas.

A IA não substitui o agricultor, mas atua como um “guru digital“, oferecendo o melhor caminho para cada talhão. “Essa tecnologia contribui para agilizar a pesquisa, orientar decisões e qualificar recomendações no campo”, destaca Kleber Sampaio, pesquisador da Embrapa Agricultura Digital. É a ciência de dados encontrando a ciência do solo para reduzir incertezas e aumentar a resiliência das lavouras.

NBC TG 41 conecta inovação e valor dos ativos biológicos

Enquanto a IA e a biologia regeneram o solo, uma área muitas vezes esquecida ganha protagonismo: a contabilidade. Para que toda essa inovação gere impacto real, é preciso mensurar corretamente o valor dos ativos biológicos — isto é, os animais e plantas vivos que compõem o patrimônio do produtor rural. O NBC TG 41 — Ativo Biológico, que no Brasil converge com a norma internacional IAS 41, estabelece que esses ativos devem ser mensurados, no reconhecimento inicial e ao final de cada período, pelo valor justo menos as despesas de venda.

Isso representa uma mudança significativa em relação ao modelo tradicional de custo, pois reconhece que o valor de um animal ou planta está em constante transformação biológica, crescimento, degeneração, produção e procriação. O ponto de colheita marca a transição do alcance do NBC TG 41 para o CPC 16 (estoques), pois a partir dali o produto agrícola passa a ser mensurado pelo custo, que equivale ao seu valor justo naquele momento.

Mensuração contábil fortalece crédito, transparência e rastreabilidade

Aplicar essa mensuração no contexto da inovação da Embrapa é fundamental por três razões. Primeiro, pela valorização da regeneração: quando um produtor adota práticas que melhoram a saúde do solo e aumentam a microbiota benéfica, o valor justo dos ativos biológicos tende a se valorizar, pois a produtividade futura é maior e mais sustentável. O NBC TG 41 exige que as mudanças no valor justo sejam reconhecidas no resultado do período, refletindo, assim, os ganhos da inovação.

Segundo, pela transparência para crédito e investimento: bancos e investidores exigem cada vez mais balanços que reflitam com precisão o patrimônio rural. Mensurar corretamente os ativos biológicos permite que pequenos e grandes produtores acessem linhas de crédito mais vantajosas, baseadas em garantias reais de produção. A norma também exige a conciliação das mudanças no valor contábil desses ativos, o que aumenta a transparência. Terceiro, pela rastreabilidade e certificação: com a IA monitorando cada talhão, a contabilidade pode registrar a evolução do valor dos ativos em tempo real, gerando relatórios auditáveis que atestam a sustentabilidade da produção.

Isso agrega valor à commodity brasileira no mercado internacional, onde a exigência por rastreabilidade é crescente. “A mensuração correta dos ativos biológicos é o elo que falta para conectar a inovação tecnológica ao balanço financeiro do produtor. Sem ela, o valor da regeneração do solo e da produtividade não se reflete nos números”, explica um especialista do setor contábil rural.

Tecnologia e contabilidade chegam à agricultura familiar

O grande acerto dessa revolução tecnológica é sua capilaridade. A tecnologia não é privilégio dos grandes latifúndios. O projeto Semear Digital tem um eixo específico para levar ferramentas digitais e IA à agricultura familiar, atuando em municípios estratégicos para reduzir assimetrias de mercado e aumentar a inclusão produtiva. Um exemplo prático é a automação da colheita de frutas, como maçãs, em Vacaria (RS), e a detecção precoce de doenças em trigo usando sensores climáticos e inteligência artificial.

Essas soluções, desenvolvidas em parceria com a Embrapa, ajudam o pequeno produtor a superar gargalos históricos, como a escassez de mão de obra, e a produzir com mais eficiência. A contabilidade, nesse contexto, também se democratiza. Com o uso de softwares integrados à IA, o pequeno produtor pode, pela primeira vez, ter um controle preciso do valor de seus ativos biológicos, respeitando o NBC TG 41, planejando melhor a sucessão familiar e a expansão do negócio.

Commodities, segurança alimentar e regeneração ambiental

Essa sinergia é vital para compor a cesta básica da comunidade. Enquanto a soja e o milho (em que o Brasil é líder) garantem a balança comercial e os créditos de carbono, a diversidade de frutas, legumes e verduras, cultivadas por pequenos e médios produtores, garante a segurança alimentar. O Brasil, ao unificar a ciência da IA, o conhecimento biológico e a mensuração contábil pautada pelo NBC TG 41, está criando um modelo em que o crescimento da produção de commodities anda lado a lado com o fortalecimento da agricultura familiar e a regeneração ambiental.

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Brasil avança como laboratório mundial de soluções agrícolas

Com mais de 9.700 colaboradores e 46 centros de pesquisa, a Embrapa solidificou sua posição como uma das principais instituições de pesquisa agrícola do mundo. A mensagem que o Brasil leva ao mundo é clara: o país não quer ser apenas o celeiro do mundo, mas o laboratório de soluções para uma agricultura mais inteligente, sustentável e financeiramente transparente.

A conexão entre ciência biológica, inteligência artificial, contabilidade de ativos (NBC TG 41) e produção de alimentos coloca o Brasil na vanguarda da agenda 2030 e nas discussões climáticas. A terra que um dia foi vista como um obstáculo e depois como um recurso a ser explorado, agora é tratada como um organismo vivo, cujo valor biológico e financeiro é monitorado, compreendido e regenerado. Essa é a grande transformação do agro brasileiro: uma revolução silenciosa que cresce sob nossos pés, impulsionada por pixels, algoritmos, microrganismos e números que contam a verdadeira história da riqueza do campo, sempre em conformidade com o NBC TG 41.

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