Quality Assurance em projetos SAP ganha espaço com automação, IA e testes contínuos para reduzir falhas, atrasos e custos em migrações.

Encontro realizado na sede da SAP reuniu especialistas e profissionais de tecnologia para discutir práticas de engenharia contínua, automação de testes e governança capazes de aumentar a previsibilidade de projetos empresariais complexos.

O aumento da complexidade das transformações envolvendo sistemas corporativos está ampliando a atenção das empresas para Quality Assurance em projetos SAP. O tema esteve no centro do Mission Control SAP, realizado em 13 de agosto, na sede da SAP, em São Paulo, com a participação de profissionais da SAP, T-Systems e Tricentis. O encontro abordou desde planejamento e desenvolvimento de testes até automação, inteligência artificial e integração contínua como mecanismos para reduzir riscos durante migrações e atualizações.

A percepção dos organizadores após o evento foi de crescimento do interesse dos profissionais de tecnologia pela disciplina de Quality Assurance. As interações, perguntas e trocas realizadas ao longo das apresentações mostraram uma preocupação recorrente com a capacidade de garantir qualidade em ambientes empresariais que combinam aplicações, integrações, sistemas legados e processos diretamente associados à operação.

O cenário ganha importância diante do avanço das migrações para SAP S/4HANA. Pesquisa da SAPinsider publicada em 2026 aponta que, embora 55% das organizações pesquisadas já tenham implantado uma solução de ERP em nuvem, somente 34% afirmam ter concluído integralmente a transição.

Ao mesmo tempo, estudos mostram que prazo, orçamento e qualidade continuam entre os desafios dessas jornadas. Pesquisa da ISG indica que quase 60% das migrações SAP ficam atrasadas e acima do orçamento, frequentemente devido à complexidade subestimada, expansão de escopo e limitações de capacidade interna. Outro levantamento, realizado pela Horváth identificou desvios de orçamento, cronograma e qualidade dos resultados em mais de 60% das organizações analisadas, com projetos levando, em média, 30% mais tempo que o planejado.

Quality Assurance passa a acompanhar todo o ciclo de transformação

A proposta apresentada durante o Mission Control SAP foi tratar a garantia de qualidade não como uma etapa isolada próxima à entrada em produção, mas como uma prática permanente de engenharia aplicada ao ciclo completo das aplicações.

A programação foi aberta por Cristina Pinheiro, Partner Manager na SAP, e Marcela Borges, diretora de vendas na T-Systems. Em seguida, Vitor Sousa, responsável por Qualidade na T-Systems, conduziu a apresentação “Qualidade em Projetos SAP: da teoria à prática”, abordando fundamentos, práticas e mecanismos destinados a elevar a confiabilidade das entregas.

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Imagem de Divulgação

Entre os pontos discutidos estiveram planejamento estruturado, ciclo de desenvolvimento dos testes, cobertura das aplicações, validação de integrações, automação e entrega contínua. A abordagem busca antecipar problemas antes que eles se convertam em interrupções operacionais, retrabalho ou aumento dos custos envolvidos na transformação.

Durante as apresentações, foram destacados potenciais ganhos de velocidade de até 90% com a adoção de ferramentas e processos adequados em determinadas etapas, além de benefícios associados à antecipação de falhas, mitigação de riscos e maior eficiência operacional.

Inteligência artificial amplia automação dos testes SAP

A aplicação de inteligência artificial à modernização desses processos também integrou a agenda. Diego Sanches, arquiteto de soluções na Tricentis, apresentou a sessão “Transformando a adoção de SAP com agilidade e qualidade, com AI”, voltada ao uso da tecnologia para acelerar atividades relacionadas aos testes e ampliar a capacidade de validação durante mudanças nos ambientes corporativos.

Nesse modelo, automação e testes contínuos em SAP deixam de funcionar apenas como mecanismos para encontrar erros no final de um ciclo. Eles passam a integrar pipelines de desenvolvimento e transformação, permitindo que alterações sejam verificadas de maneira recorrente antes de chegarem aos sistemas utilizados pelo negócio.

A lógica torna-se especialmente relevante diante de ambientes com grande quantidade de integrações e dependências. Uma atualização em determinado componente pode provocar impactos em processos que atravessam diferentes departamentos, sistemas e fornecedores, aumentando a necessidade de visibilidade sobre os efeitos de cada mudança.

Engenharia de qualidade deve ser construída release a release

Uma das principais mensagens do Mission Control SAP foi que Quality Assurance em projetos SAP não deveria ser reconstruída do zero a cada nova iniciativa. A proposta apresentada aos participantes é transformar a disciplina em uma capacidade permanente da organização, acumulando processos, automações, métricas e conhecimento ao longo das sucessivas entregas.

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“Entendemos os desafios do cliente e avaliamos toda a cadeia de qualidade, processos, aplicações, integrações, cobertura de testes, esforço manual, gestão de testes e velocidade de entrega. A partir dessa análise, identificamos os principais gaps e oportunidades e desenhamos uma estratégia de Quality Engineering, combinando automação, Continuous Testing, gestão e governança de testes, dados de teste, performance e integração com DevOps, sempre priorizando redução de risco, eficiência operacional e aceleração do time-to-market”, afirma Vitor Sousa, responsável pela área de Quality Assurance na T-Systems.

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