Os Correios começaram a entregar em qualquer endereço do Brasil compras feitas pela internet em lojas de Ciudad del Este, no Paraguai, sem que o consumidor precise viajar até a fronteira. A nova modalidade, chamada Correios Packet, funciona por transporte terrestre entre o Paraguai e o Brasil e está disponível, por enquanto, apenas para clientes de lojas habilitadas pela Receita Federal. O serviço também surge em meio ao aumento das regras de tributação sobre produtos comprados no exterior e à valorização do dólar frente ao real, fatores que elevaram o custo de parte das compras internacionais. Com a entrega direta, os consumidores podem comparar os preços dos produtos vendidos no Paraguai com os de outros sites antes de fechar negócio.
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Correios Packet passa a transportar por via terrestre as compras feitas em lojas paraguaias
TechTudo/Késya Holanda
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Índice
Como funciona a compra do Paraguai com entrega no Brasil?
Quais lojas do Paraguai já entregam no Brasil?
Quais produtos podem ser comprados?
Como funciona o Remessa Conforme nas compras do Paraguai?
Quanto de imposto vou pagar?
A cota de US$ 500 vale para compras online?
Comprar no Paraguai pela internet vale a pena?
1. Como funciona a compra do Paraguai com entrega no Brasil?
O processo começa como qualquer compra online: o consumidor acessa o site da loja paraguaia, escolhe os produtos e informa o endereço de entrega no Brasil. Depois de faturado em Ciudad del Este, o pedido segue por via terrestre até Foz do Iguaçu (PR) e é direcionado ao Centro Internacional dos Correios, em Curitiba, onde passa pelo desembaraço aduaneiro antes de seguir para a entrega final.
A partir da saída desse centro, a encomenda segue os mesmos prazos das entregas nacionais dos Correios, com rastreamento completo durante todo o trajeto. É importante ter em mente que, mesmo sendo uma compra feita em português, em reais e sem sair de casa, trata-se de uma importação: o pedido está sujeito a impostos federais e estaduais, calculados e cobrados no momento da compra, e a encomendas de até 30 kg, limite atual do serviço.
Encomendas saem de Ciudad del Este e passam pela alfândega em Foz do Iguaçu antes de seguir para todo o Brasil
Reprodução/Magnific
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2. Quais lojas do Paraguai já entregam no Brasil?
Neste primeiro momento, a modalidade está disponível para duas grandes varejistas de Ciudad del Este: Cellshop e New Zone Importados, conhecidas na região da fronteira pela venda de eletrônicos e outros produtos importados. Ambas foram homologadas no Programa Remessa Conforme, da Receita Federal, e por isso estão autorizadas a vender diretamente para consumidores em qualquer parte do Brasil.
Por enquanto, a lista de lojas participantes é restrita: só empresas habilitadas no programa da Receita Federal podem operar dentro dessa modalidade dos Correios, o que significa que outras lojas de Ciudad del Este e de outras cidades paraguaias, mesmo populares entre turistas brasileiros, ainda não fazem parte da iniciativa.
As lojas CellShop e NewZone estão fazendo as entregas para o Brasil
Reprodução/CellShop e NewZone
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3. Quais produtos podem ser comprados?
O catálogo das lojas participantes é o mesmo já conhecido de quem costuma visitar Ciudad del Este pessoalmente: celulares, notebooks, videogames, câmeras, acessórios de tecnologia, perfumaria, cosméticos e vestuário estão entre as categorias disponíveis para compra pela internet.
Como se trata de uma importação, o produto escolhido continua sujeito às regras brasileiras para entrada de mercadorias no país. Os Correios mantêm uma lista de itens proibidos ou restritos para importação, armas, medicamentos sem registro e determinados eletrônicos sem certificação da Anatel podem ter a entrega barrada ou exigir documentação adicional, por exemplo. Antes de fechar a compra, vale conferir se o produto específico não se enquadra em alguma dessas restrições.
Encomendas saem de Ciudad del Este e passam pela alfândega em Foz do Iguaçu antes de seguir para todo o Brasil
Reprodução/CellShop
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4. Como funciona o Remessa Conforme nas compras do Paraguai?
O Remessa Conforme é o programa da Receita Federal que regula a tributação de compras internacionais feitas por pessoas físicas. Lojas homologadas no programa, como a Cellshop e a New Zone, precisam informar antecipadamente os dados de cada venda ao Fisco brasileiro. Além disso, elas devem calcular os impostos devidos já no momento da compra, dessa forma o consumidor sabe exatamente quanto vai pagar antes mesmo de finalizar o pedido, sem surpresas na entrega.
Essa antecipação também agiliza o desembaraço aduaneiro: como a Receita já recebeu as informações da encomenda antes da chegada ao Brasil, a liberação tende a ser mais rápida do que em compras feitas em sites não certificados. Como consequência, elas podem ficar retidas na alfândega até o pagamento dos impostos ser regularizado depois que o pacote já está em solo brasileiro.
A Remessa Conforme é um programa da Receita Federal
TechTudo/Késya Holanda
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5. Quanto de imposto vou pagar?
Como as lojas paraguaias participantes estão no Remessa Conforme, a tributação segue as mesmas regras aplicadas a qualquer compra internacional feita em plataformas certificadas pela Receita Federal. Compras de até US$ 50 estão isentas do Imposto de Importação desde maio de 2026 e pagam apenas o ICMS do estado de destino, que varia de 17% a 20%. Já compras entre US$ 50,01 e US$ 3.000 pagam Imposto de Importação de 60% sobre o valor aduaneiro (produto mais frete), com um desconto fixo de US$ 30 sobre o imposto calculado, além do ICMS estadual, que incide “por dentro” também sobre o valor do imposto federal.
Na prática: em uma compra de US$ 40 (cerca de R$ 232, com o dólar a R$ 5,80), não há cobrança de Imposto de Importação, e o consumidor paga só o ICMS, cerca de R$ 40 a R$ 46, dependendo do estado. Já em uma compra de US$ 100 (R$ 580), o Imposto de Importação de 60% resulta em US$ 60, dos quais são descontados US$ 30, sobrando US$ 30 (cerca de R$ 174) de imposto federal. Sobre esse total, ainda incide o ICMS estadual, que pode acrescentar R$ 130 a R$ 150 à conta final, a depender da alíquota do estado do comprador.
Impostos são calculados e cobrados no momento da compra, dentro do Remessa Conforme
Reprodução/CellShop editado por Késya Holanda
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6. A cota de US$ 500 vale para compras online?
Não. A cota de US$ 500, que muitos brasileiros conhecem de viagens presenciais ao Paraguai, vale apenas para quem atravessa a fronteira terrestre carregando as próprias compras, é a chamada franquia de bagagem para viajantes. Comprar em uma loja paraguaia pela internet e receber a encomenda pelos Correios é uma operação diferente: juridicamente, é tratada como importação por remessa internacional, sujeita às regras do Regime de Tributação Simplificada descritas no tópico anterior, não à cota de viajante.
Ou seja, mesmo que o valor da compra fique abaixo de US$ 500, isso não garante isenção de impostos quando a compra é feita online: o que determina a tributação, nesse caso, é a faixa de valor da encomenda (até ou acima de US$ 50) no Remessa Conforme, e não o limite utilizado por quem viaja fisicamente até o Paraguai.
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7. Comprar no Paraguai pela internet vale a pena?
A resposta depende do produto e do seu preço no Brasil. Para itens mais baratos, na faixa isenta de Imposto de Importação (até US$ 50), a compra tende a compensar, já que o consumidor paga só o ICMS estadual sobre o valor do produto. Já para eletrônicos mais caros, como celular topo de linha, a soma do Imposto de Importação de 60% com o ICMS pode elevar bastante o preço final. Com isso, a compra no Paraguai pode ficar mais cara do que a mesma mercadoria vendida oficialmente no varejo brasileiro, mesmo com o preço de etiqueta mais baixo em Ciudad del Este.
Antes de decidir, vale colocar na ponta do lápis o preço final com todos os impostos, e não apenas o valor exibido no site paraguaio, além de considerar prazo de entrega e garantia: produtos comprados fora do Brasil costumam ter suporte e garantia mais limitados por aqui, o que é um ponto a menos em relação à compra em uma loja nacional autorizada.
É preciso comparar cada produto para verificar se vale comprar fora
TechTudo/Késya Holanda
Com informações de Correios, Receita Federal e Senado Notícias
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