Conectividade do Futuro em debate no podcast do Itshow com Marcio Montagnani, Alex Cornetta, Beto Hortega e Carlos Gurgel.

O Portal Itshow estreia a segunda temporada, Conectividade do Futuro, de seu podcast dedicada à infraestrutura de TI, com um primeiro episódio voltado aos desafios de preparar redes, cabeamento, data centers e ambientes corporativos para uma nova geração de demandas tecnológicas. Apresentado por Marcio Montagnani, apresentador e colunista do Itshow, o programa reúne Alex Cornetta, responsável pela área de desenvolvimento de parcerias, canais e distribuição da CommScope no Brasil, Beto Hortega, Head de Infraestrutura da Exbiz, e Carlos Gurgel, consultor com mais de três décadas de experiência em infraestrutura.

Ao longo do episódio, os participantes discutem por que a infraestrutura de TI voltou a ocupar espaço na agenda estratégica dos executivos. Wi-Fi de alta performance, inteligência artificial, cloud, edge computing, automação, ambientes de tecnologia operacional (OT), sensores, data centers e Power over Ethernet (PoE) aparecem entre os fatores que aumentam a pressão sobre a camada física das organizações.

A proposta da temporada, segundo Marcio, é justamente ampliar a discussão sobre as responsabilidades dos executivos de tecnologia diante da evolução da infraestrutura e das necessidades das próximas gerações de aplicações.

Infraestrutura de TI ganha importância com novas demandas

Um dos principais pontos apresentados no episódio é que a expansão das tecnologias sem fio não eliminou a necessidade de cabeamento. Pelo contrário: access points mais avançados e ambientes com maior densidade de dispositivos aumentaram a dependência de uma estrutura física capaz de acompanhar a capacidade dos equipamentos.

Alex Cornetta destaca que diferentes aplicações passaram a utilizar a mesma rede, incluindo voz, imagens, dados, áudio e vídeo, elevando a responsabilidade sobre o desempenho da infraestrutura.

“Hoje o que demanda uma boa performance e qualidade, especificação e instalação são os sistemas que de alguma forma estão usando uma infraestrutura sem fio.”

O executivo observa que, embora o usuário enxergue diretamente o Wi-Fi, a qualidade da conexão também depende do caminho percorrido até o access point. Por isso, equipamentos de maior capacidade não entregam necessariamente o desempenho esperado quando estão conectados a estruturas inadequadas.

Beto Hortega relata que esse é um problema recorrente nos projetos acompanhados junto aos clientes.

“Quantos clientes a gente não enfrenta o desafio de ‘o meu Wi-Fi não está funcionando’? E normalmente você olha para um endpoint, só que você esquece de olhar essa infraestrutura.”

A discussão passa ainda pela evolução de Wi-Fi 6 e Wi-Fi 7 e pelas exigências de conexões multigigabit. No episódio, Carlos Gurgel destaca que determinados equipamentos podem exigir cabeamento de maior capacidade para que a velocidade projetada chegue efetivamente ao usuário.

Planejamento precisa acompanhar o ciclo tecnológico

Outro alerta feito pelos convidados é para empresas que concentram investimentos em novos equipamentos, mas deixam de avaliar se a infraestrutura de TI atual suporta essas aquisições.

Beto cita como exemplo organizações que investem valores relevantes em access points com grande capacidade de transmissão, mas continuam utilizando cabeamento incompatível com o potencial do equipamento.

“Eu acho que o principal erro que deve se evitar é justamente a falta do planejamento, a falta da visibilidade de onde você quer chegar.”

Segundo ele, os projetos precisam considerar não apenas a necessidade atual, mas a expectativa de evolução do negócio nos próximos cinco ou dez anos.

Essa visão é reforçada pela diferença entre o ciclo de vida dos dispositivos e o da própria infraestrutura. Durante a conversa, os convidados apontam que equipamentos conectados podem ser substituídos em períodos relativamente curtos, enquanto um projeto físico corretamente executado pode permanecer em operação durante décadas.

A infraestrutura de TI, portanto, precisa ser planejada antes de a demanda atingir seu limite, evitando que uma modernização de software ou equipamentos resulte posteriormente em gargalos de conectividade.

Data centers voltam para a discussão dos CIOs

O episódio também dedica espaço à movimentação de organizações que, após levarem aplicações e ambientes para a nuvem, passaram a reconsiderar a infraestrutura on-premises.

Para os convidados, uma eventual retomada de data centers internos não pode ocorrer apenas com a reprodução de projetos utilizados 10 ou 20 anos atrás. Novas tecnologias permitem aumentar a densidade dos ambientes e reduzir o espaço necessário para equipamentos e conexões.

Alex Cornetta afirma que um planejamento atualizado pode permitir que uma infraestrutura antes distribuída por diversos racks seja reorganizada de maneira mais compacta. A questão tem impacto especialmente em locais onde o custo do metro quadrado é elevado.

Carlos Gurgel reforça que a qualidade do projeto é determinante mesmo em ambientes menores.

“Tudo isso tem que ser muito bem projetado. E aí a importância de você ter uma boa assessoria e utilizar produtos de boa qualidade.”

Durante a conversa, Carlos relata ainda situações em que técnicas de compactação e adensamento foram necessárias justamente para acomodar a infraestrutura dentro de espaços reduzidos.

Certificação e padronização reduzem riscos

A certificação aparece como outro elemento fundamental para aumentar a confiabilidade da infraestrutura de TI. Os convidados defendem projetos documentados, testados e alinhados às normas técnicas, principalmente em ambientes nos quais uma falha pode interromper processos de negócio.

Carlos destaca a importância de avaliar a solução como um sistema completo, incluindo cabos, fibras, patch panels, garantias e a capacidade do fabricante de suportar a estrutura instalada. O consultor também menciona a necessidade de testes realizados com equipamentos adequados e por empresas devidamente qualificadas.

Para Beto Hortega, a certificação também simplifica a identificação da origem de problemas.

“A certificação salva muitos empregos dos nossos clientes, do que você ter uma conformidade de cabeamento onde você consegue com essa certificação provar aonde está o erro que não seja na sua infraestrutura.”

Alex acrescenta que normas como TIA, EIA e referências da ABNT ajudam a estabelecer os parâmetros técnicos necessários para assegurar desempenho e qualidade da instalação.

A padronização se torna especialmente relevante em empresas multilocalidades. Gurgel relata durante o episódio sua participação em um projeto envolvendo 44 localidades ao redor do mundo, no qual a capacidade de manter padrões semelhantes entre diferentes países é uma das preocupações da operação.

Segurança também começa na infraestrutura física

A conversa amplia o conceito de infraestrutura de TI ao incluir a cibersegurança. Os participantes ressaltam que ataques não precisam ocorrer exclusivamente a partir da internet: conexões físicas não autorizadas também podem representar um vetor de risco.

Alex Cornetta explica que existem soluções capazes de monitorar a rede física e identificar dispositivos conectados de forma indevida, permitindo alertar responsáveis pela infraestrutura sobre o local onde a atividade ocorreu.

No debate, Marcio Montagnani menciona um dado atribuído a um relatório da Kaspersky, segundo o qual 71% dos ataques cibernéticos direcionados às empresas acontecem de dentro da infraestrutura. A informação é apresentada no episódio para reforçar a necessidade de documentação, gerenciamento e controle sobre os pontos físicos de acesso à rede.

PoE muda as exigências dos projetos

Outro ponto de atenção é o avanço do Power over Ethernet. Além de transportar dados, a infraestrutura passa a fornecer energia para uma quantidade crescente de dispositivos, incluindo câmeras, telefones e equipamentos de áudio e vídeo.

Beto Hortega aponta que essa evolução já influencia a escolha dos cabos nos projetos de CFTV.

“A gente não fala do cabo só, do throughput dele e da passagem de gigas, e sim também da necessidade do seu PoE para alimentar o endpoint.”

Alex Cornetta acrescenta que a decisão precisa levar em consideração tanto os equipamentos ativos quanto a qualidade e as características do cabeamento. Escolhas orientadas somente por preço podem funcionar inicialmente, mas apresentar problemas conforme aumenta a utilização da infraestrutura.

Nova temporada quer ampliar conscientização sobre infraestrutura de TI

Ao encerrar o primeiro episódio, os convidados defendem que a camada física deixe de ser vista apenas como uma despesa de construção ou um componente passivo da tecnologia.

Para Carlos Gurgel, a percepção das empresas já está mudando diante da dependência crescente dos processos digitais.

“Tudo que nós fazemos hoje é altamente dependente da infraestrutura. E está cada vez mais claro para o cliente como um todo.”

Beto Hortega reforça que um ambiente estruturado e planejado pode entregar benefícios durante muitos anos. Alex Cornetta, por sua vez, destaca que o ganho de um bom projeto não está necessariamente em economizar no preço unitário do cabo, mas em encontrar uma arquitetura capaz de reduzir equipamentos, otimizar espaços e atender melhor às necessidades futuras.

A segunda temporada sobre infraestrutura de TI seguirá abordando os desafios ligados à conectividade do futuro. O objetivo do Itshow é oferecer aos executivos e líderes de tecnologia elementos técnicos e estratégicos para avaliar investimentos que deverão sustentar aplicações, dispositivos e operações cada vez mais dependentes de conectividade.

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