
Resumo
- O LibreOffice 26.8 reconhece seis tipos de gráficos proprietários do Microsoft Office: Diagrama de caixa, Funil, Pareto, Radial, Mapa de árvore e Cascata, mas ainda não consegue exibi-los.
- A suíte de código aberto preserva as informações gráficas em documentos do Office, evitando perda de dados quando arquivos são abertos e salvos novamente.
- A compatibilidade limitada ocorre porque esses gráficos são armazenados em um formato proprietário da Microsoft, dificultando a implementação em programas de código aberto.
A procura por alternativas ao Microsoft Office vem dando o que falar porque aplicativos similares podem ter diversas limitações. No caso do LibreOffice, a versão mais recente passou a lidar melhor com gráficos criados no ambiente da Microsoft. A organização por trás do projeto deu mais detalhes sobre a implementação. Em resumo, o LibreOffice consegue preservar os elementos, mas não é capaz de exibi-los na tela.
A mudança vale para seis tipos de gráficos:
- Diagrama de caixa
- Funil
- Pareto
- Radial
- Mapa de árvore
- Cascata
O LibreOffice ainda não consegue mostrá-los nem editá-los, mas passou a identificar esses elementos e manter suas informações quando o documento é aberto e salvo novamente. Isso evita que usuários que abram um arquivo no LibreOffice e apaguem, sem perceber, um gráfico que não era compatível com a suíte.
A exceção está nos gráficos com mapas regionais: eles dependem de uma grande quantidade de informações geográficas que o LibreOffice ainda não consegue preservar, segundo a The Document Foundation (TDF).
Qual a dificuldade em exibir tipos proprietários?
A admissão da Document Foundation poderia soar como uma “admissão de incompetência”. Segundo a entidade, no entanto, não é bem assim: os seis tipos de gráficos ficam armazenados em um formato proprietário da Microsoft, o que dificulta a implementação em outros programas.
O formato, uma extensão do OOXML conhecida como chartex, não faz parte do texto aprovado pela norma internacional ISO/IEC 29500, embora seja documentada separadamente pela big tech. A entidade reconhece que não há ilegalidade nisso, mas reforça que outros programas precisam descobrir como essas extensões funcionam e implementá-las por conta própria, o que pode levar tempo.
Essa é uma crítica antiga da TDF. Em janeiro, a entidade voltou a dizer que o OOXML é muito complexo e acusou a Microsoft de dificultar a implementação por terceiros. “OOXML nunca foi, não é e nunca será um formato padrão”, disse Italo Vignoli, da Document Foundation, à época.
LibreOffice decidiu manter arquivos

A fundação afirma que existem três maneiras de um programa lidar com um elemento que não consegue entender.
- Recusar o arquivo, o que impediria o usuário de abrir o documento.
- Apagar o elemento incompatível: mantém a compatibilidade do restante do arquivo, mas o gráfico desaparece. O usuário pode só perceber o problema depois, quando o documento for enviado para outra pessoa.
- Manter o elemento no arquivo: o usuário recebe um aviso e vê um marcador no lugar do gráfico, mas as informações originais continuam guardadas no documento.
A vantagem é principalmente para documentos que passam por diferentes programas. Uma pessoa pode abrir uma apresentação no LibreOffice, alterar o conteúdo que é compatível com a suíte e salvar o arquivo sem destruir um gráfico que só o Microsoft Office conseguiria exibir.
O avanço pode estar entre os motivos que levaram o LibreOffice a bater o recorde de downloads na semana de lançamento da versão 26.8. A suíte também ganhou outras melhorias no editor de texto Writer, com suporte a mais fontes e funções de acessibilidade, e no editor de planilhas Calc, incluindo a criação e edição de scripts em Python sem extensões.
LibreOffice 26.8 lida melhor com gráficos do Microsoft Office (mas sem exibi-los)