Segurança e IA são temas abordados por Lisiane Lemos durante o lançamento do SecOps Summit 2027 em Porto Alegre.

O avanço da inteligência artificial está aumentando a pressão sobre empresas e governos para rever estratégias de segurança, proteção de dados e formação de profissionais. Em entrevista ao Itshow durante o lançamento do SecOps Summit 2027, em Porto Alegre, Lisiane Lemos, secretária de Inovação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul, afirmou que a transformação digital exige uma combinação entre tecnologia, pessoas e mudança de comportamento.

Executiva com passagens por Google e Microsoft, Lisiane destacou que a expansão da IA traz novas possibilidades, mas também aumenta a responsabilidade sobre dados, segurança e capacitação.

IA amplia preocupação com segurança e proteção de dados

Segundo Lisiane, o avanço da inteligência artificial e de outras tecnologias exige que organizações pensem continuamente em novas soluções para proteger informações e preparar profissionais.

“Com o crescimento da inteligência artificial e de novas tecnologias, a gente tem que pensar cada vez mais em novas soluções”, afirmou.

Entre os pontos destacados estão a proteção dos dados dos cidadãos, a evolução das práticas de segurança e a necessidade de preparar profissionais que anteriormente não lidavam diretamente com esses temas.

A discussão se aproxima de um desafio cada vez mais presente na agenda de CIOs e CISOs: ampliar o uso de tecnologia sem perder controle sobre riscos, dados e continuidade das operações.

Tecnologia disponível não significa transformação

Para Lisiane, um dos principais obstáculos à adoção da inteligência artificial não está apenas na infraestrutura tecnológica.

A secretária apontou a gestão da mudança como um componente central para que novas ferramentas sejam efetivamente incorporadas por organizações e cidadãos.

Segundo ela, mais de 90% dos serviços do Rio Grande do Sul são oferecidos digitalmente. O estado também utiliza a GurIA, iniciativa de inteligência artificial mencionada durante a entrevista.

Mesmo com serviços e tecnologias disponíveis, a adesão continua dependendo da capacidade de reduzir barreiras culturais.

“O nosso desafio é cultural, é de gestão da mudança, é de mostrar que inteligência artificial é para todo mundo”, afirmou Lisiane.

Para lideranças de tecnologia, a avaliação reforça que projetos de IA não terminam na implementação. Comunicação, capacitação e mudança de processos também fazem parte da transformação.

Dados ganham espaço na tomada de decisão

Outro ponto abordado pela secretária foi o uso de dados como base para decisões no setor público.

Lisiane destacou a colaboração entre academia, mercado e governo e afirmou que dados passaram a ocupar uma posição relevante na construção de políticas e iniciativas estaduais.

“Todas as nossas decisões são orientadas a dados”, disse, ao mencionar também a atuação de um comitê científico no apoio à tomada de decisão.

A estratégia aproxima o setor público de uma discussão já consolidada entre executivos de tecnologia: como transformar volumes crescentes de informação em decisões mais rápidas, consistentes e sustentáveis.

Falta de talentos exige mais do que formar profissionais

A escassez de mão de obra qualificada também foi destacada durante a entrevista.

Na avaliação de Lisiane, não existe uma única resposta para o problema. É necessário aumentar a formação de profissionais, mas também aproximar as competências desenvolvidas das necessidades reais de empresas e governos.

A secretária mencionou sua experiência como gerente de recrutamento e diversidade para a América Latina no Google e afirmou que uma das primeiras barreiras é fazer com que mais pessoas se enxerguem como parte do mercado de tecnologia.

Lisiane também chamou atenção para processos seletivos que acumulam requisitos que nem sempre são necessários para determinada função, como exigências específicas de idioma ou experiência.

Segundo ela, aproximar empresas de estudantes, ampliar oportunidades de estágio e fortalecer programas de formação pode contribuir para reduzir essa distância entre demanda e oferta de profissionais.

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Segurança e inovação dependem de colaboração

Ao abordar a importância de encontros como o SecOps Summit, Lisiane destacou networking, troca de conhecimento e construção de parcerias.

Segundo a secretária, eventos desse tipo permitem que profissionais saiam da rotina operacional, conheçam novas soluções e estabeleçam conexões entre empresas, especialistas e governo.

Para Lisiane, pensar o futuro tecnológico também passa por segurança de dados, soberania e desenvolvimento de negócios.

A entrevista aponta para uma equação que ganha importância na agenda das lideranças de tecnologia: a inteligência artificial pode acelerar serviços e operações, mas a transformação depende de governança, segurança, profissionais preparados e capacidade de conduzir mudanças dentro das organizações.

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