Resumo
  • Meta foi condenada a pagar US$ 25 bilhões por não proteger dados de usuários e permitir discurso de ódio, de acordo com a justiça dos EUA.
  • A multa, uma das maiores aplicadas a uma empresa nos EUA, é resultado de um processo que apontou mais de 43 milhões de violações, incluindo o escândalo da Cambridge Analytica.
  • A Meta afirmou que irá recorrer da decisão, que considerou que a empresa enganou usuários sobre esforços para proteger dados e combater desinformação.

Uma decisão judicial no estado do Novo México, nos Estados Unidos, condenou a Meta a pagar US$ 25 bilhões (R$ 75 bilhões, na cotação atual) em multas. A corte concluiu que a empresa de Mark Zuckerberg enganou os usuários de suas redes sociais quanto aos esforços para proteger seus dados e combater a desinformação e a disseminação de discursos de ódio. A denúncia foi feita em 2021, após o escândalo do Cambridge Analytica.

A empresa teve acesso ilegal a informações de mais de 50 milhões de perfis e atuou na campanha de Donald Trump para seu primeiro mandato na presidência dos EUA. Na decisão, o juiz responsável afirmou que foi encontrado um “número extraordinário de violações intencionais” por parte da Meta, além do envolvimento direto de lideranças do Facebook.

Essa é uma das maiores multas aplicadas a uma empresa na história dos Estados Unidos, de acordo com a Procuradoria-Geral do Novo México. A Meta, por sua vez, afirmou em nota que a decisão visa “impor novas regras para o que as pessoas podem dizer na internet”. Ela disse que irá recorrer da decisão.

Entenda o escândalo da Cambridge Analytica

Em 2018, uma investigação da imprensa dos EUA apontou para o uso ilegal de mais de 50 milhões de contas nos Estados Unidos. Mais tarde, o próprio Facebook reconheceu que cerca de 87 milhões de usuários haviam sido afetados – mais de 70 milhões nos Estados Unidos. Como o Tecnoblog mostrou à época, quase 500 mil brasileiros também tiveram seus dados comprometidos.

Os dados utilizados pela Cambridge Analytica tiveram origem em um aplicativo de quizz disponibilizado no próprio Facebook, o “thisisyourdigitallife”. Cerca de 270 mil perfis participaram do teste, criado pelo psicólogo Aleksandr Kogan. As informações levantadas foram, então, repassadas ilegalmente à empresa, que os utilizou para fins políticos.

A empresa do Reino Unido prestava serviços de consultoria em redes sociais para diferentes políticos em corridas eleitorais.

Condenação indica participação ativa da Meta

A decisão judicial já havia sido anunciada em setembro, mas a punição saiu apenas nesta quarta-feira (21/10), praticamente cinco anos após a denúncia formal e oito anos após o escândalo da Cambridge Analytica vir à tona. A justificativa para os cerca de R$ 75 bilhões em multas dá conta de uma participação ativa da Meta, com mais de 42 milhões de violações registradas.

De acordo com o juiz responsável, Raúl Torrez, a sentença vai além do escândalo em si, e mostra que nenhuma empresa pode enganar seus consumidores quanto ao uso de suas informações pessoais sem “enfrentar consequências significativas”.

Meta leva multa de US$ 25 bilhões em processo do Cambridge Analytica