Cibersegurança e continuidade são temas abordados por Marcio Montagnani e Rodrigo Pan durante o lançamento do SecOps Summit 2027 em Porto Alegre.

A cibersegurança deixou de ocupar apenas uma função de suporte dentro das organizações e passou a fazer parte das decisões relacionadas à continuidade, ao risco e à proteção econômica dos negócios. A avaliação é de Rodrigo Pan, COO do SecOps Summit, que conversou com o Itshow durante o lançamento da edição de 2027, realizado em Porto Alegre.

Para Rodrigo, o avanço das ameaças digitais exige que empresas tratem segurança como parte estrutural da operação. Isso significa que o tema deixa de estar restrito ao CISO e passa a envolver também CIOs, líderes de infraestrutura, operações e demais executivos responsáveis pela continuidade do negócio.

“O mercado precisa ter a questão da segurança não só como um suporte, mas sim como uma questão real para a defesa e a economia das empresas, para a continuidade do negócio”, afirmou.

Segurança passa a fazer parte da continuidade do negócio

A visão apresentada por Rodrigo acompanha uma transformação na forma como as organizações analisam risco tecnológico.

Ataques cibernéticos podem afetar sistemas, dados e operações, mas suas consequências também alcançam faturamento, reputação e capacidade de manter serviços funcionando.

Para o executivo, ambientes de troca entre profissionais podem contribuir para aumentar a maturidade do mercado ao permitir que especialistas compartilhem experiências e analisem diferentes formas de reduzir exposição a incidentes.

Para CIOs e CISOs, esse cenário amplia a responsabilidade sobre segurança. A proteção dos ambientes passa a depender de decisões coordenadas entre arquitetura, infraestrutura, dados, operações e gestão de risco.

IA entra nos dois lados da cibersegurança

A inteligência artificial também aparece como um dos fatores que estão modificando esse cenário.

Rodrigo destacou que a tecnologia já é utilizada tanto por atacantes quanto por profissionais responsáveis pela defesa dos ambientes digitais.

“Os atacantes hoje também usam IA, hoje nós também defendemos com IA”, afirmou.

A evolução coloca as lideranças de tecnologia diante de uma dinâmica em que automação, velocidade de resposta e capacidade de adaptação ganham peso.

Mais do que incorporar novas ferramentas, o desafio está em entender como a IA altera o equilíbrio entre ataque e defesa e como essa tecnologia deve ser incorporada às estratégias de risco das organizações.

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Indústria, agro, saúde e logística enfrentam riscos diferentes

Rodrigo também destacou que os desafios de segurança variam de acordo com características econômicas e operacionais de cada setor.

Indústria, saúde, agronegócio e logística estão entre os segmentos citados pelo executivo como áreas que exigem discussões específicas sobre segurança e operações de TI.

A questão ganha relevância especialmente em ambientes nos quais uma indisponibilidade pode interromper produção, distribuição, atendimento ou operações físicas.

Nesse contexto, cibersegurança deixa de ser apenas uma discussão sobre proteção de dados e passa a se conectar diretamente à resiliência operacional.

CIOs e CISOs precisam ampliar o diálogo

Ao falar diretamente aos executivos de tecnologia, Rodrigo destacou a necessidade de maior troca entre profissionais.

“Esses profissionais precisam conversar entre si, precisam dialogar, para que nós tenhamos realmente um futuro mais seguro”, afirmou.

Essa aproximação se torna ainda mais importante diante da velocidade com que ameaças, tecnologias e formas de ataque evoluem.

Para o mercado, a consequência é clara: segurança não pode mais ser tratada como uma responsabilidade isolada de uma área especializada. Quando um incidente afeta continuidade, receita, operação e reputação, a discussão passa a envolver diferentes níveis da liderança.

SecOps Summit amplia alcance para 2027

A edição de 2027 também acompanha essa ampliação da agenda de segurança.

Rodrigo afirmou que o evento será realizado no Centro de Eventos da FIERGS, com oito palcos simultâneos e participação de profissionais de diferentes segmentos.

A organização pretende ainda aumentar a presença internacional, trazendo profissionais de empresas estrangeiras e representantes de organizações internacionais.

Mais do que a expansão do próprio evento, a fala de Rodrigo aponta para uma mudança de maturidade do mercado: quando cibersegurança passa a ser tema de continuidade, ela deixa de ser responsabilidade exclusiva do CISO e passa a integrar a agenda de CIOs, operações e liderança de negócio.

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