Resumo
  • O ex-engenheiro da OpenAI, Abdulrahman Alfozan, foi preso pelo FBI nos Estados Unidos sob acusação de instalar um gravador em uma sala de reuniões da empresa usada pela diretoria.
  • O gravador foi encontrado em 30 de setembro, conectado à porta USB de uma televisão e escondido em papel higiênico, armazenando gravações criptografadas.
  • Se condenado, Alfozan poderá pegar até cinco anos de prisão e pagar uma multa de US$ 250 mil.

Um ex-engenheiro da OpenAI foi preso nos Estados Unidos sob a acusação de instalar um gravador em uma sala de reuniões usada pela diretoria da empresa, em São Francisco. Abdulrahman Alfozan, de 35 anos, foi detido pelo FBI em 9 de outubro e formalmente acusado nesta terça-feira (13/10).

O equipamento foi encontrado em 30 de setembro, conectado à porta USB de uma televisão e escondido dentro de um papel higiênico. Segundo a denúncia, a sala era usada para discutir pesquisas, planos de produtos, decisões estratégicas e relações comerciais da criadora do ChatGPT.

A acusação se baseia na lei federal que proíbe o uso ou a tentativa de uso de dispositivos para interceptar comunicações orais ilegalmente. Se condenado, ele poderá pegar até cinco anos de prisão e pagar uma multa de US$ 250 mil (cerca de R$ 1,26 milhão).

Gravador foi encontrado atrás de TV

Dispositivo estava escondido atrás de uma TV (imagem: reprodução)

A OpenAI afirma que recorreu às próprias ferramentas de IA para ajudar a investigar o caso e identificar o funcionário, que foi demitido. “Nós usamos nossos modelos para entender o dispositivo e descobrir de onde ele veio”, diz em nota.

O dispositivo teria sido instalado por volta de 28 de setembro e armazenava gravações criptografadas. Uma equipe de segurança interna descobriu o aparelho dois dias depois. “Encaminhamos o assunto ao FBI e somos gratos aos agentes e promotores que agiram rapidamente para efetuar a prisão”, continua o texto.

A companhia afirma também que, até o momento, não encontrou indícios de que o suspeito tenha acessado indevidamente ou extraído códigos-fonte, pesos de modelos de IA ou dados de clientes. A investigação, portanto, não confirma nenhum roubo de propriedade intelectual. A OpenAI chegou a demitir três funcionários recentemente após um suposto vazamento de informações confidenciais sobre os modelos.

Câmeras e histórico de pesquisas ligaram suspeito ao caso

A denúncia reúne elementos que relacinoam Alfozan ao dispositivo. Imagens de câmeras de segurança mostraram o engenheiro nas proximidades do local em diferentes ocasiões, embora ele não tivesse autorização para acessar a sala. Em 5 de outubro, ele teria entrado e olhado atrás da televisão onde o gravador estava instalado.

Os investigadores também identificaram consultas feitas antes da instalação do equipamento, incluindo informações sobre endereços, salas de reunião, calendários e localização de executivos da empresa. Uma conta em um chatbot associada à esposa do engenheiro também teria feito perguntas sobre instalação e ocultação de gravador de áudio.

As consultas também mencionavam características específicas do equipamento encontrado, incluindo seu endereço MAC, identificador usado para reconhecer uma interface de rede.

Em 5 de outubro, seguranças da OpenAI encontraram ainda um segundo gravador semelhante ao primeiro dentro de uma mochila deixada sem supervisão em outra área do prédio. A bolsa continha documentos de identificação e uma carteira atribuídos a Alfozan.

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