
Um estudo global da Rockwell Automation revelou que 34% das operações industriais já utilizam inteligência artificial em atividades de qualidade, cibersegurança e otimização de processos. O levantamento, divulgado em maio de 2026, ouviu 1.560 fabricantes em 17 países e indica que a IA deixou de ser experimento para se tornar ativo operacional central, com impacto direto sobre as estratégias de TI e segurança em grandes empresas.
IA deixa os laboratórios e entra de vez nas linhas de produção
A inteligência artificial na indústria cruzou um ponto de inflexão. Não se trata mais de projetos-piloto ou promessas de médio prazo. Dados do 11º Relatório Anual do Estado da Produção Inteligente, publicado pela Rockwell Automation, mostram que 34% das operações industriais ao redor do mundo já aplicam a tecnologia em funções críticas, controle de qualidade, cibersegurança e otimização de processos.
O estudo ouviu 1.560 fabricantes em 17 países, conduzido pela Sapio Research em parceria com a Rockwell Automation. Os números revelam uma transição estrutural que exige resposta imediata das lideranças de TI.
O fim da era dos pilotos: adoção em escala já é realidade
Até pouco tempo atrás, a maioria das empresas mantinha a inteligência artificial na indústria confinada a ambientes controlados. Esse ciclo está se encerrando com velocidade surpreendente.
59% dos fabricantes afirmam utilizar ativamente tecnologias de produção inteligente no dia a dia. Apenas 18% permanecem em fase piloto. A diferença é expressiva e sinaliza que a escala chegou antes do que muitos executivos esperavam.
A projeção para o médio prazo reforça essa trajetória. Os próprios fabricantes estimam que mais de 50% das operações terão suporte de IA até 2030. Para os líderes de TI, isso significa que o prazo para estruturar arquiteturas seguras e escaláveis é agora, não daqui a quatro anos.
90% dos fabricantes consultados classificam a transformação digital como essencial para manter a competitividade. Um terço dos orçamentos operacionais já é destinado à tecnologia industrial. O investimento está acontecendo. A questão é se a infraestrutura de segurança acompanha o ritmo.
Cibersegurança industrial: a vulnerabilidade que cresce junto com a IA
O avanço da inteligência artificial na indústria traz consigo um risco que não pode ser subestimado. 46% dos fabricantes sofreram ao menos um incidente de segurança cibernética no último ano. Quase metade do setor.
A razão estrutural para esse número está na convergência entre Tecnologia da Informação e Tecnologia Operacional, o que o setor chama de integração TI/TO. À medida que sistemas de chão de fábrica se conectam a redes corporativas e plataformas de dados, a superfície de ataque se expande de forma proporcional.
Ambientes industriais historicamente operam com equipamentos projetados para durabilidade, não para conectividade. Controladores lógicos programáveis, sistemas SCADA e redes OT legadas raramente foram concebidos com segurança cibernética como requisito primário. Quando a IA passa a depender dessas infraestruturas para funcionar, as vulnerabilidades antigas ganham nova dimensão de risco.

O gargalo dos dados, 57% do potencial está sendo desperdiçado
Há outro problema que o relatório expõe com clareza. Apenas 43% dos dados coletados pelas operações industriais são efetivamente utilizados. Mais da metade do volume gerado pelas plantas simplesmente não se converte em inteligência operacional.
Esse gargalo tem implicações diretas para a eficiência da inteligência artificial na indústria. Modelos de IA só entregam valor quando alimentados por dados relevantes, limpos e bem estruturados. Sem governança de dados robusta, os investimentos em automação e machine learning tendem a produzir resultados aquém do esperado.
Para as equipes de TI, isso representa uma oportunidade concreta de atuação estratégica. Arquiteturas de dados bem desenhadas, que integrem fontes de OT, sensores, sistemas MES e ERPs, são o alicerce sobre o qual a IA industrial vai operar. Empresas que resolverem esse gargalo antes da concorrência sairão na frente.
O que os fabricantes estão priorizando nos investimentos
O relatório da Rockwell também mapeia as prioridades de investimento do setor. As empresas estão direcionando recursos para iniciativas com retorno tangível e mensurável: ganhos de qualidade, redução de custos operacionais, mitigação de riscos e aumento da Eficiência Geral dos Equipamentos, a métrica conhecida como OEE.
Essa lógica de investimento orientado por resultado muda o papel que a TI precisa desempenhar. Não basta entregar infraestrutura. É necessário demonstrar como cada camada tecnológica contribui diretamente para os indicadores que o negócio acompanha.
A inteligência artificial na indústria está redefinindo o que significa ser competitivo no setor manufatureiro. E está redefinindo, junto, o que se espera das lideranças de tecnologia dentro dessas organizações.
O momento exige decisão, não espera
Os dados do estudo da Rockwell Automation compõem um quadro inequívoco. A adoção em escala já acontece. Os riscos cibernéticos crescem no mesmo ritmo. O volume de dados subutilizados aponta para ineficiências que drenam valor dos investimentos já realizados.
O relatório funciona como um mapa de prioridades. Arquiteturas integradas de TI/TO, programas robustos de segurança para ambientes OT/ICS, plataformas de dados industriais e profissionais especializados em manufatura inteligente deixaram de ser diferenciais. Tornaram-se requisitos de sobrevivência competitiva.
A inteligência artificial na indústria não está chegando. Ela já chegou. A pergunta que cada líder de TI precisa responder é se sua organização está preparada para sustentar essa transformação com segurança, escala e inteligência operacional real.
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