
Um estudo realizado pela Cisco em parceria com a Foundry Research, com 3.472 líderes de TI em todo o mundo, revela que 71% das empresas brasileiras preveem atingir o limite de capacidade de suas redes corporativas em até 24 meses pressionadas pelo crescimento acelerado da inteligência artificial agêntica, que deve triplicar o volume de tráfego de dados em até três anos.
O relógio está correndo para os líderes de TI no Brasil. Um estudo conduzido pela Cisco em parceria com a Foundry Research indica que redes corporativas brasileiras estão a menos de dois anos do colapso de capacidade e a principal força por trás dessa pressão tem nome: inteligência artificial agêntica.
A pesquisa, realizada em março e abril de 2026 com 3.472 líderes de TI de organizações com mais de 500 funcionários ao redor do mundo, traça um panorama preocupante. No Brasil, 71% das empresas afirmam que suas infraestruturas de rede atingirão os limites em até 24 meses. O índice é ligeiramente menor do que a média mundial, de 73%, mas o cenário é igualmente urgente.
IA agêntica: o motor por trás do colapso
A expansão da IA agêntica, sistemas de inteligência artificial que operam de forma autônoma, em alta velocidade e com grandes volumes de dados está redesenhando a demanda por capacidade de rede. O estudo projeta um crescimento de 235% no volume de dados gerado por esses sistemas nos próximos três anos, o que equivale a mais que triplicar o tráfego atual.
Esse cenário já preocupa a maioria dos executivos. Oitenta e cinco por cento das corporações globais esperam uma expansão moderada ou significativa do uso de redes corporativas para suportar cargas de IA agêntica nos próximos dois anos. No Brasil, 97% das organizações afirmam que essas cargas de trabalho impactarão diretamente os requisitos de suas redes acima da média global de 96%.
O dado mais revelador, porém, vem de dentro das próprias empresas: 82% dos líderes brasileiros declaram ter mais confiança em suas estratégias de IA do que na capacidade de suas redes corporativas de suportá-las. A ambição digital avança mais rápido do que a infraestrutura.
Wi-Fi e orçamento: os dois gargalos centrais
Entre os obstáculos identificados, o Wi-Fi desponta como o principal gargalo de infraestrutura. A tecnologia, amplamente adotada nos ambientes corporativos brasileiros, é apontada como o fator que mais impulsiona a necessidade de ampliação de capacidade nas redes corporativas. A demanda por atualizações para padrões como Wi-Fi 6E e Wi-Fi 7 cresce na mesma proporção que o tráfego gerado pela IA.
O segundo obstáculo é orçamentário. Noventa e um por cento dos executivos brasileiros citam limitações de budget como o principal desafio para modernizar suas redes. Esse percentual é expressivo e coloca o Brasil em linha com uma tensão global: a necessidade de investir é clara, mas os recursos disponíveis não acompanham o ritmo exigido pela transformação digital.
Setenta e quatro por cento das organizações brasileiras afirmam ter necessidade urgente de atualizar suas redes corporativas, número próximo à média global de 76%. O problema não é falta de consciência é falta de viabilidade financeira imediata.
Segurança: a segunda frente de pressão
Se a infraestrutura já preocupa, a cibersegurança adiciona uma segunda camada crítica ao desafio. Noventa e cinco por cento das empresas brasileiras relatam dificuldades para acompanhar a evolução das ameaças de segurança impulsionadas pela IA índice superior à média global de 92% e o mais alto entre todos os países pesquisados.
O impacto já é sentido na prática. Oitenta e oito por cento das empresas brasileiras afirmam perceber efeitos negativos diretos do uso de IA na segurança de suas redes corporativas, contra 90% na média global. Ataques mais sofisticados, automação de ameaças e superfícies de ataque ampliadas pelo próprio crescimento da IA agêntica formam um quadro que exige resposta técnica e estratégica simultânea.
A lacuna entre a velocidade das ameaças e a capacidade de resposta das equipes de segurança é real. E cresce na mesma proporção que o ecossistema de IA se expande.
O que os líderes de TI precisam fazer agora
O estudo da Cisco deixa claro que a modernização das redes corporativas deixou de ser uma decisão estratégica de médio prazo e passou a ser uma necessidade operacional imediata. A janela de três anos é o prazo máximo e dois desses anos já estão comprometidos pelo ritmo atual de adoção da IA.
As frentes prioritárias de ação incluem atualização do Wi-Fi para padrões de nova geração, revisão da arquitetura de backbone, investimento em edge computing para reduzir a latência das cargas de IA e fortalecimento das camadas de segurança integradas à rede. Ao mesmo tempo, a escassez de profissionais qualificados amplia a pressão sobre as equipes existentes, tornando o planejamento de capacidade humana tão urgente quanto o tecnológico.
Para os executivos que ainda tratam a modernização de rede como projeto futuro, o recado do mercado é direto: o futuro já chegou e ele consome largura de banda em escala sem precedentes.

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