Patricia Caprioli, fundadora da Hekate

Durante a Sirena Conference 2026, o Itshow esteve presente para acompanhar a cobertura do evento e conversar com lideranças do setor de cibersegurança. Em entrevista conduzida por Natalia Oliveira, Patricia Caprioli, fundadora da Hekate e uma das idealizadoras da Sirena ao lado de Marina Ciavata, destacou a evolução do encontro, a escuta ativa do público e a importância de transformar programas de conscientização em iniciativas mais estratégicas, mensuráveis e conectadas ao comportamento humano.

Criada a partir de uma ideia desenvolvida em 2021, durante a pandemia, a Sirena teve sua primeira edição realizada em 2025 e chegou a 2026 com mudanças motivadas diretamente pelo feedback dos participantes. Segundo Patricia, a decisão de levar o evento para a zona sul de São Paulo ocorreu após a pesquisa de satisfação da edição anterior, que apontou essa demanda entre o público. A edição deste ano foi realizada no St. Plaza International e, de acordo com a organização, recebeu avaliação positiva de participantes, palestrantes e patrocinadores, especialmente pela circulação e estrutura do espaço.

Evento evolui a partir do feedback dos participantes

Para Patricia, um dos diferenciais da edição de 2026 foi a manutenção da qualidade do conteúdo, a fundadora ressaltou que a programação buscou preservar uma grade diversa, com diferentes perfis de especialistas e presença expressiva de mulheres no palco, um princípio que, segundo ela, faz parte da visão da Hekate para eventos de cibersegurança.

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Imagem de Arquivo Itshow

A Sirena Conference também mudou sua curadoria em relação ao ano anterior. Na primeira edição, a programação foi formada apenas por palestrantes convidados, escolhidos para marcar o início do projeto. Em 2026, a organização abriu uma chamada pública para palestrantes, orientada pelos temas mais solicitados pelo público na pesquisa do ano anterior. O objetivo foi aproximar a agenda do evento das dúvidas e desafios reais enfrentados por empresas em programas de conscientização e gestão de risco humano.

Risco humano ganha protagonismo na agenda de segurança

A Sirena nasceu com foco em risco humano, tema que ganhou força dentro das estratégias de cibersegurança à medida que empresas passaram a reconhecer que tecnologia, processos e comportamento precisam caminhar juntos. Segundo Patricia, quando a ideia surgiu, ainda não havia no Brasil um evento dedicado exclusivamente a esse recorte.

Na entrevista, Patrícia reforçou que a proposta da Sirena não é ser apenas mais um evento de conscientização, mas um espaço para aproximar profissionais, compartilhar experiências práticas e discutir o que realmente funciona dentro das organizações. Entre os pedidos do público, estavam mais cases e exemplos concretos de como empresas vêm estruturando campanhas internas de segurança.

Conscientização precisa ir além do phishing

Um dos pontos centrais da fala de Patricia foi a necessidade de ampliar a visão sobre conscientização em segurança. Para ela, o tema não pode ser reduzido a campanhas de phishing ou a ações isoladas em datas específicas, como a semana ou o mês da segurança.

A fundadora defendeu que campanhas mais eficazes precisam considerar engajamento, emoção, participação ativa e memória. Esse também foi o eixo de sua palestra no evento, intitulada “Saindo da caixa”, na qual provocou o público com a pergunta: a sua campanha de conscientização realmente engaja?

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Campanhas feitas apenas por compliance perdem impacto

Patricia também chamou atenção para uma prática comum nas empresas: campanhas de conscientização realizadas apenas por obrigação. Segundo ela, muitas organizações promovem ações internas porque precisam cumprir uma agenda anual, uma demanda de compliance ou uma exigência corporativa, mas sem clareza sobre objetivos, formato, engajamento ou continuidade.

Esse modelo, na visão da executiva, tende a limitar o impacto das iniciativas. A campanha acontece, mas nem sempre gera aprendizado real, mudança de comportamento ou indicadores que ajudem a empresa a evoluir sua estratégia de segurança. Para Patricia, não basta investir em conscientização sem definir o que será feito com os resultados depois.

Experiências fora da cibersegurança podem inspirar novas abordagens

Na palestra Patricia relacionou sua experiência com grandes eventos fora da área de cibersegurança, como conferências, convenções e eventos de cultura pop, para mostrar como esses formatos podem inspirar campanhas corporativas mais envolventes.

A ideia, segundo ela, é observar como grandes eventos conseguem atrair atenção, gerar interesse, estimular participação e criar experiências memoráveis. Aplicada à segurança da informação, essa lógica pode ajudar empresas a criar campanhas mais próximas das pessoas, menos protocolares e mais conectadas à realidade dos colaboradores.

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