Organizações cognitivas representam o futuro da inteligência artificial estratégica nas empresas durante palestra da SUCESU-SP

A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de automação e passou a ocupar um papel estratégico na transformação das empresas. Durante o CIOs Connection, realizado pela SUCESU-SP, Lyzbeth Cronembold, vice-presidente da entidade, apresentou uma reflexão sobre como as organizações podem utilizar a tecnologia para criar diferenciais competitivos, combinando inteligência artificial, cultura organizacional, dados proprietários e talento humano.

Na palestra de encerramento do evento, Lyzbeth abordou o conceito de organizações cognitivas, destacando que a vantagem competitiva das empresas não estará apenas no acesso aos modelos de IA, mas na capacidade de aplicar a tecnologia considerando contexto, propósito e características próprias de cada negócio.

“A diferença está em como você vai utilizar, e não quem vai utilizar, mas o como. E o como parte de um princípio que é o ser humano, é você conhecer, é você entender contexto”, afirmou Lyzbeth durante a apresentação.

Segundo a executiva, a popularização da inteligência artificial está tornando recursos antes restritos mais acessíveis às organizações. Entretanto, o diferencial estratégico passa pela forma como cada empresa estrutura seus dados, processos e pessoas para aproveitar essas tecnologias.

IA exige uma nova visão sobre cultura e estratégia empresarial

Durante a palestra, Lyzbeth destacou que a inteligência artificial consegue ampliar capacidades como análise de informações, produção de conteúdos e automação de atividades, mas existem elementos organizacionais que continuam ligados exclusivamente ao fator humano.

“A cultura organizacional uma IA não consegue replicar”, explicou a executiva, ressaltando que valores, princípios e experiências acumuladas pelas empresas são ativos que precisam ser considerados na implementação de agentes inteligentes.

Para ela, organizações que adotam agentes de IA precisam ir além da implementação técnica e pensar em como esses sistemas serão treinados para refletir a identidade e os valores da companhia.

“Um agente precisa ser treinado nos seus valores, que você treina o seu colaborador quando chega na companhia”, afirmou Lyzbeth.

A executiva também chamou atenção para a necessidade de preservar o pensamento crítico diante do avanço da tecnologia. Segundo ela, embora a IA tenha capacidade de processar grandes volumes de informações, a tomada de decisão ainda depende do julgamento humano.

Organizações cognitivas combinam dados, IA e aprendizado contínuo

Um dos principais pontos apresentados durante o CIOs Connection foi o conceito de organizações cognitivas, estruturas empresariais que utilizam inteligência artificial para apoiar processos de aprendizado, tomada de decisão e evolução contínua.

Segundo Lyzbeth, esse modelo considera o contexto da empresa, seu DNA organizacional, sua estrutura de equipes e sua governança. A inteligência artificial passa a atuar como um elemento integrado ao funcionamento da companhia, apoiando decisões e ampliando capacidades.

“O processo de uma organização cognitiva leva em conta o contexto, leva em conta todo o DNA que a empresa tem, a estrutura, como você vai montar as suas equipes”, explicou.

Nesse cenário, os dados proprietários aparecem como um dos principais diferenciais competitivos. Para a executiva, empresas precisam compreender quais informações possuem valor estratégico e como esses dados podem ser utilizados para desenvolver modelos mais alinhados ao negócio.

“Qual é a minha IA que me diferencia? Qual é o meu dado que me diferencia? Que modelo eu vou utilizar?”, questionou Lyzbeth ao destacar os desafios que os líderes de tecnologia precisam enfrentar.

Liderança de tecnologia precisa conectar IA ao negócio

Outro ponto abordado na palestra foi a mudança no papel dos líderes de tecnologia. Para Lyzbeth, o CIO precisa participar da construção estratégica da inteligência artificial dentro das organizações, evitando que a tecnologia seja tratada apenas como um projeto isolado da área de TI.

A executiva criticou o conceito de “IA cosmética”, utilizado para descrever iniciativas que apenas automatizam processos sem uma análise mais profunda dos objetivos estratégicos da empresa.

“Não adianta você dizer ‘meu concorrente está fazendo algo igual, eu vou lá e vou fazer igual’. Isso não diferencia a sua organização”, destacou.

Segundo ela, a inteligência artificial precisa estar conectada às dores reais do negócio, aos objetivos estratégicos e aos indicadores que permitam medir resultados.

Para isso, Lyzbeth defendeu uma abordagem multidisciplinar, envolvendo diferentes áreas da organização na construção dos projetos de IA.

“A IA, ela é transversal, ela tem que trabalhar para a organização como um todo”, afirmou.

Governança e confiança são pilares para a evolução da IA

Durante a apresentação, Lyzbeth também reforçou a importância da governança no uso da inteligência artificial. Com o crescimento dos agentes autônomos, as empresas precisam estabelecer controles semelhantes aos aplicados aos usuários humanos, garantindo segurança, confiabilidade e proteção das informações.

“Ao mesmo tempo que você tem controle de acesso, de reputação e confiança dentro da organização para o indivíduo, é super importante você ter para o seu agente”, alertou.

Para a executiva, a IA tende a se tornar uma infraestrutura comum nas empresas, deixando de ser um fator isolado de diferenciação. Nesse cenário, os elementos capazes de gerar vantagem competitiva serão justamente aqueles mais difíceis de copiar: cultura, dados proprietários, talento humano, confiança e identidade organizacional.

“A IA vai se tornar infraestrutura, e uma vez que a IA se torne infraestrutura, ela não gera vantagem competitiva”, afirmou Lyzbeth.

A palestra de encerramento do CIOs Connection reforçou uma discussão estratégica para líderes de tecnologia: o futuro da inteligência artificial nas empresas dependerá menos da adoção da ferramenta e mais da capacidade das organizações de construir ambientes preparados para aprender, evoluir e tomar decisões melhores com apoio da tecnologia.

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