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IA e cibersegurança é o tema central do novo episódio da temporada WOMCY by Itshow, apresentado por Marcio Montagnani, com participação de Clarice Aguilar, líder de marketing da Womcy. A conversa recebeu Paula Iara, diretora de operações do Grupo IVY, e Vera Medina, executiva da AlfaPeople, para discutir se a inteligência artificial cria novos riscos para as empresas ou se apenas amplia antigos problemas de governança, dados, cultura e segurança da informação.
O debate parte de uma provocação direta para CIOs, CISOs e executivos que lidam com inovação em ritmo acelerado: a inteligência artificial está criando uma nova categoria de riscos ou apenas expondo falhas antigas de governança, cultura, dados e compliance?
Para Vera Medina, a resposta passa menos pela ideia de ruptura absoluta e mais pela ampliação de problemas que já existiam nas organizações. “Eu vejo como uma ampliação, uma expansão desses riscos”, afirmou. Segundo ela, os riscos deixam de estar concentrados apenas na operação e na tecnologia e passam a ocupar um espaço estratégico, ligado a decisões, compliance e governança corporativa.
IA e cibersegurança saem da camada técnica e entram na pauta estratégica
Durante o episódio, Marcio Montagnani destacou que a inteligência artificial já se tornou pauta recorrente nas conversas com especialistas do Itshow. A discussão, no entanto, não ficou restrita ao hype tecnológico. O ponto central foi entender como IA e cibersegurança passam a exigir decisões mais maduras das empresas, especialmente quando soluções são adotadas sem clareza de objetivo.
Paula Iara alertou que a popularização da inteligência artificial mudou a velocidade do risco. Para ela, a tecnologia não é nova, mas o acesso massivo a ferramentas de IA mudou o cenário corporativo. “A IA amplia muito antigos cenários, mas ela traz pra gente novos desafios”, afirmou. A executiva também comparou o ritmo do mercado com o ritmo da segurança: enquanto a inteligência artificial “está correndo”, as empresas ainda caminham lentamente na criação de controles, políticas e processos.
Clarice Aguilar reforçou que a dúvida sobre dados ainda é um dos grandes pontos de atenção. “Ainda falta um pouco de entendimento do que dados podem ser usados na inteligência artificial e com relação à segurança”, disse. Ela citou como exemplo áreas como centros de serviços compartilhados, que concentram grande volume de dados corporativos e precisam de regras claras sobre o que pode ou não ser usado em soluções de IA.
Superfície de ataque cresce com APIs, conectores e uso descentralizado
Um dos pontos mais relevantes do episódio foi a expansão da superfície de ataque. Ao analisar IA e cibersegurança, Paula Iara explicou que a adoção de inteligência artificial em produtos, serviços e plataformas cria novas possibilidades de exploração. A lógica deixa de ser apenas binária, baseada em código, e passa a incluir comportamento, contexto, modelos, prompts e decisões automatizadas.
A executiva também destacou que a inteligência artificial reduz o tempo necessário para que pessoas consigam executar ações maliciosas com maior sofisticação. Segundo ela, antes era preciso um longo período de formação para desenvolver determinadas habilidades técnicas. Agora, ferramentas de IA podem acelerar esse processo, tanto para usos legítimos quanto para usos ofensivos.

Vera Medina complementou que a IA generativa trouxe um novo nível de pressão para as empresas porque empoderou usuários e áreas de negócio. APIs, integrações e conectores ampliam a velocidade da inovação, mas também exigem mais maturidade. Para ela, “inovação por inovação não funciona”, especialmente quando não há entendimento sobre o problema real que a empresa deseja resolver.
Shadow AI e governança de dados preocupam especialistas
O episódio também abordou Shadow AI, fenômeno em que colaboradores utilizam ferramentas de inteligência artificial sem aprovação, controle ou conhecimento formal da empresa. Vera classificou Shadow AI como uma das principais exposições atuais. Paula, por sua vez, conectou o tema à governança de dados e à cultura corporativa.
Para Paula, o problema não está apenas na ferramenta, mas na ausência de gestão sobre quais dados são inseridos, onde são processados e quem assume responsabilidade sobre eles. A executiva lembrou que, quando dados passam por uma IA, surgem dúvidas sobre responsabilidades legais, operacionais e de privacidade.
Nesse ponto, IA e cibersegurança deixam de ser um desafio exclusivo da área técnica. O episódio reforça que marketing, RH, jurídico, compliance, liderança executiva e áreas de negócio precisam participar da construção de uma cultura de uso responsável. Paula afirmou que segurança precisa trabalhar em conjunto com marketing e RH para quebrar silos e transformar conscientização em prática cotidiana.
Oportunidade para segurança, mas com pessoas no centro
Apesar dos riscos, as convidadas também destacaram oportunidades. Paula citou o uso de inteligência artificial para acelerar capacitação, apoiar profissionais em testes de intrusão e melhorar entregas de segurança. Mas ela ressaltou que o julgamento humano segue indispensável, principalmente porque muitas vulnerabilidades continuam relacionadas a pessoas e processos.
Vera destacou que a IA pode ampliar a capacidade das empresas de tomar decisões, gerar insights e acelerar processos, desde que a governança acompanhe a evolução. Para ela, a inteligência artificial precisa ser adotada com responsabilidade, avaliação de riscos e entendimento do valor real para o negócio.

Clarice encerrou a conversa reforçando o papel humano na adoção tecnológica. “IA e tecnologias são importantes, fazem parte do nosso dia a dia, mas nada substitui as pessoas”, afirmou.
O episódio integra a temporada de podcasts em parceria entre Itshow e Womcy e faz parte das ações de promoção do IT Summit, evento voltado à alta liderança de TI e cibersegurança, marcado para 10 de novembro, em São Paulo, no WTC. A proposta é ampliar o debate sobre carreira executiva, governança, segurança, inovação e transformação digital para líderes que precisam decidir como adotar tecnologia sem abrir mão de responsabilidade.
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