Executivos analisam FinOps, governança e custos em nuvem em reunião estratégica sobre eficiência operacional e cloud computing.

Os gastos com serviços de infraestrutura em nuvem têm batido níveis elevados. Um estudo da consultoria Canalys divulgado no final de 2025 mostrou que US$ 95,3 bilhões (aproximadamente R$ 506 bilhões) foram gastos mundialmente com essa finalidade, apenas no segundo trimestre daquele ano. Isso representa um avanço de 22% em relação ao mesmo período de 2024, e a mesma pesquisa mostra um aumento de acima de 20% em quatro trimestres consecutivos.

Esses dados são bons para os provedores de serviços, mas não necessariamente para
quem os contrata.

Tal aumento é reflexo da demanda crescente por aplicações de inteligência artificial, da retomada das migrações de sistemas legados e do aumento de escala de empresas nativas digitais. Só que um relatório recente do Gartner identificou que até um terço do gasto em cloud pode ser desperdiçado sem controle adequado. Em muitos casos, as equipes descobrem que recursos estão ativos sem necessidade, workloads são superdimensionados e múltiplos times consomem os serviços da nuvem sem governança clara.

Não é à toa que 84% dos gestores de TI consideram difícil a tarefa de equilibrar a gestão de investimentos em nuvem, conforme apontado por outro relatório, o “2025 State of the Cloud Report”, elaborado pela Flexera após entrevista com 750 líderes de TI de diversos países. E é para dar conta dessa complexidade que existem as FinOps, um modelo de gestão que busca alinhar tecnologia, finanças e negócio para otimizar o uso da nuvem.

Parceiro de decisões

Como o próprio nome sugere, FinOps é uma junção de finanças e DevOps que estipula
que as equipes de TI, finanças e negócios devem colaborar para trazer responsabilidade financeira para a contratação e gestão de serviços de nuvem. Sua premissa é dar condições aos administradores de identificar o melhor custo benefício em termos de armazenagem de dados e processamento de volume, independentemente de a nuvem ser pública ou privada.

Podemos dizer, na verdade, que as FinOps são uma ferramenta para apoiar essas decisões mencionadas anteriormente, fazendo com que a capacidade do gerenciamento e da governança de TI seja aprimorada. Isso inclui, por exemplo, estudar o uso das aplicações para garantir que servidores sejam desligados em horários de ociosidade, ou aumentar o volume de cloud durante períodos de maior demanda.

Essencialmente, FinOps é parte da operação. O acrônimo transforma “financeiro” e
“DevOps” em uma palavra só justamente porque as FinOps não podem ser tratadas
como uma tarefa apenas de controladoria ou da TI, e sim como algo integrado às
atividades core da empresa. Infelizmente, o que vemos com frequência é o contrário
disso.

Distorção entre teoria e prática

Muitas empresas adotam preceitos de FinOps parcialmente, limitando-se a tratar tão somente dos custos da nuvem, sem contemplar questões técnicas que deveriam propiciar a decisão de melhor escolha sobre o local do processamento e o armazenamento das informações.

Essa aplicação limitada das FinOps tem raízes na própria disseminação da cloud computing. Quando, há cerca de dez anos, houve um movimento massivo de migrar aplicações para a nuvem pública, o processo se deu sem que fosse feito um estudo específico do impacto que isso traria, especialmente da modernização da arquitetura que seria necessária. Como resultado, quase tudo que não era cloud native foi migrado desconsiderando os aspectos técnicos: para boa parte das lideranças de TI, o importante era “ir para a nuvem”.

Assim, vários e-commerces e aplicações semelhantes foram colocados em estruturas de arquitetura tecnológica duvidosa, em nuvens privadas com poucos servidores e/ou pouca virtualização. Muitas organizações seguiram sem se modernizar, mesmo diante dos sinais de que o modelo era ineficiente e, com isso, criaram legados cuja manutenção é muito cara.

Pilares de apoio

Com essa mentalidade de “baixar custo a todo custo”, há empresas que estão regressando a ambientes de servidores dedicados, ou de virtualização com servidores de nuvem privada. A questão, porém, não é sobre custo, e sim sobre esse movimento fazer ou não sentido do ponto de vista operacional.

Por exemplo, é bastante comum que algumas organizações não consigam fazer cross
cloud (migrar a aplicação de uma nuvem para a outra), mesmo estando com quase todo
o seu workload na nuvem. Isso porque escolheram um fornecedor tão específico para
uma determinada aplicação que acabaram se tornando dependentes dele.

Provavelmente, esta foi uma decisão baseada em vantagens apenas parciais, e não em
uma arquitetura já pensada sob os preceitos de FinOps.

Quando as FinOps se encarregam de orquestrar os movimentos da nuvem, elas podem
garantir que as arquiteturas que funcionam em nuvem privada ou pública não sejam vítimas dessa dependência. E, uma vez resolvida essa questão, é possível começar a pensar em cross cloud, combinando o aumento da eficiência das aplicações com o equilíbrio de custo.

É por isso que as FinOps devem ser uma responsabilidade compartilhada entre TI, finanças, compliance e alta direção. Devidamente aplicadas, elas são mais do que uma ferramenta de contenção financeira: tornam-se apoiadoras da estratégia do negócio, já que permitem extrair mais valor dos recursos contratados, e de forma mais transparente.

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