Resumo
  • A Microsoft investiu US$ 37,5 bilhões em IA trimestralmente, mas a adoção do Copilot foi baixa, com menos de 3% dos usuários pagantes usando a ferramenta ativamente.
  • O ex-vice-presidente Mat Velloso criticou a empresa por não se conectar com o público comum e por fazer as mesmas coisas esperando resultados diferentes.
  • A Microsoft está mudando de prioridade no Windows 11, passando a corrigir pontos antigos da experiência do sistema em vez de insistir em novas integrações de IA.

A aposta multibilionária da Microsoft em inteligência artificial voltou a ser alvo de críticas, desta vez de alguém que a conhece por dentro. Para o ex-vice-presidente Mat Velloso, a companhia não estaria se conectando com o público comum. Ele comparou o momento atual a outros atrasos históricos.

O brasileiro trabalhou por mais de 12 anos na Microsoft, antes de liderar produtos no Google DeepMind, incluindo a API do Gemini, e a atuar como vice-presidente de Produto na Meta. Na rede social X, em resposta a Frank Shaw, líder do setor de comunicações da Microsoft, Velloso disse que a empresa “perdeu a onda da internet, a onda mobile e agora perdeu a onda da IA”.

Ainda segundo ele, é isso que acontece “quando você continua fazendo as mesmas coisas esperando resultados diferentes”.

Copilot não virou hábito

A principal crítica de Velloso tem a ver com a integração do Copilot nos principais produtos, porém sem conseguir transformá-la em consistência de uso. Em outras respostas, ele observa que menos de 3% dos usuários pagantes usam o Copilot ativamente, mesmo com a ferramenta integrada ao Office e pré-instalada na barra de tarefas do Windows 11.

Segundo o portal Windows Latest, a Microsoft teria investido US$ 37,5 bilhões em IA trimestralmente (cerca de R$ 189 bilhões), um gasto muito alto para uma taxa de adoção baixíssima. Além disso, a empresa teria pressionado fabricantes de PCs a incluírem NPUs — chips dedicados a tarefas de IA — em notebooks com Windows 11, o que permite a adesão ao selo Copilot+.

Para Velloso, o investimento não se justificou. Fabricantes apostaram pesado nesses componentes apenas para descobrir que “ninguém se importa, porque nenhum caso de uso valioso foi criado para eles no Windows/Office”.

Microsoft corrige prioridades

A repercussão dessa estratégia aparece, segundo o Windows Latest, em uma mudança de prioridade no Windows 11. Em vez de insistir apenas em novas integrações de IA, que fez fãs passarem a chamar a empresa de Microslop, ela estaria voltando a corrigir pontos antigos da experiência do sistema.

Um dos principais exemplos dessa correção de rota é a postura da nova CEO da divisão do Xbox, Asha Sharma, que se colocou contra o lixo de IA logo que assumiu o posto.

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