
Os gastos mundiais com inteligência artificial devem atingir US$ 2,59 trilhões em 2026, alta de 47% em relação ao ano anterior, segundo previsão divulgada pelo Gartner em maio de 2026. O crescimento reflete uma virada histórica no mercado: pela primeira vez, grandes organizações corporativas assumem o protagonismo nos investimentos, superando o ciclo dominado por empresas de tecnologia e hyperscalers. Para CIOs e líderes de TI, 2026 marca o fim do hype e o início da adoção escalável da IA nos negócios.
Os gastos globais com IA estão prestes a quebrar todos os recordes. Segundo o relatório Forecast: AI Spending, Worldwide, 2024-2029, divulgado pelo Gartner em maio de 2026, o mercado global de inteligência artificial movimentará US$ 2,59 trilhões apenas neste ano uma expansão de 47% em relação a 2025. O número não é apenas impressionante. Ele sinaliza uma transformação estrutural na forma como as organizações encaram a IA.
2026: o ano em que a IA saiu do laboratório para o negócio
Durante anos, os maiores investimentos em IA foram concentrados em gigantes de tecnologia e hyperscalers. Esse cenário está mudando agora. O Gartner classifica 2026 como o ano de inflexão dos gastos globais com IA: é o momento em que empresas corporativas de todos os setores passam a ampliar, de forma consistente, o uso de modelos de IA generativa em aplicações existentes e a implementar agentes de IA em múltiplos fluxos de trabalho.
Para os CIOs, isso representa uma pressão crescente. Não basta mais explorar projetos-piloto. O mercado exige comprovação de ROI, alinhamento estratégico e capacidade de escalar iniciativas com velocidade.
Infraestrutura puxa os investimentos e os desafios
A infraestrutura de IA domina o cenário. Em 2026, esse segmento representará mais de 45% do total dos gastos globais com IA, saltando de US$ 975,6 bilhões em 2025 para US$ 1,43 trilhão. Os servidores otimizados para IA são o destaque: o Gartner prevê que esses ativos triplicarão em valor nos próximos cinco anos, tornando-se o maior subsegmento do mercado de infraestrutura.
Os data centers acompanham esse ritmo acelerado. Os gastos com esse segmento crescerão 55,8% em 2026, ultrapassando US$ 788 bilhões. A corrida por semicondutores de alta performance, redes de IA e plataformas de IaaS acelerada já está em curso entre os principais provedores de nuvem do mundo.
Para líderes de infraestrutura, o recado é direto: a arquitetura tecnológica das empresas precisará ser repensada. Quem não investir em modernização de data center e em capacidade computacional otimizada para IA ficará em desvantagem competitiva nos próximos 24 meses.
Modelos de IA e software: crescimento acelerado em todas as frentes
O segmento de modelos de IA registra o crescimento mais expressivo em termos percentuais. Os gastos saltam de US$ 15,5 bilhões em 2025 para US$ 32,6 bilhões em 2026 aumento de 110%. Essa alta reflete a corrida das empresas por acesso a modelos de linguagem de grande escala e por soluções de IA generativa incorporadas diretamente em ferramentas de produtividade, CRM, ERP e plataformas de atendimento.
O software de IA também avança com força. Os gastos globais com IA nesse segmento passam de US$ 282,9 bilhões para US$ 453,2 bilhões em 2026. Já os serviços de IA que incluem consultorias, integrações e suporte especializado crescem de US$ 436,4 bilhões para US$ 585,5 bilhões no mesmo período.
A projeção para 2027 reforça a tendência: o total global de gastos com IA deve alcançar US$ 3,49 trilhões, confirmando que não se trata de um ciclo passageiro, mas de uma reconfiguração permanente do mercado de tecnologia.
Cibersegurança: o lado mais urgente do crescimento
Entre todos os segmentos analisados pelo Gartner, a cibersegurança baseada em IA chama atenção pela velocidade de crescimento e pela urgência do contexto. Os gastos quase dobram em um único ano: de US$ 25,9 bilhões em 2025 para US$ 51,3 bilhões em 2026.
Esse salto não é coincidência. A mesma tecnologia que eleva a produtividade das empresas também amplia a superfície de ataque. Deepfakes sofisticados, ataques automatizados em escala, engenharia social turbinada por IA e riscos de privacidade associados ao uso de dados em modelos generativos estão no centro das preocupações dos times de segurança.
A resposta do mercado é integrar IA diretamente nas plataformas de segurança. Detecção automatizada de ameaças, análise comportamental em tempo real e resposta a incidentes com suporte de IA já deixaram de ser diferenciais para se tornar requisitos básicos em organizações de grande porte. Para os CISOs, 2026 exige não apenas mais orçamento, mas uma nova arquitetura de segurança centrada em inteligência artificial.
O que os CIOs precisam fazer agora
O crescimento de 47% nos gastos globais com IA não é apenas um dado macroeconômico. Ele define o ritmo de transformação que os líderes de TI precisarão sustentar daqui em diante.
Três frentes exigem atenção imediata. A primeira é a governança dos investimentos: com volumes tão expressivos em jogo, a pressão do board para demonstrar retorno mensurável será constante. A segunda é a infraestrutura: modernizar data centers e adotar arquiteturas otimizadas para cargas de trabalho de IA deixa de ser opcional. A terceira é o talento: a escassez de profissionais qualificados em IA e em segurança cibernética continuará sendo um gargalo crítico ao longo de 2026 e 2027.
O Gartner deixa claro que 2026 é o ponto de virada entre o entusiasmo inicial com a IA e a adoção corporativa em escala. As organizações que chegarem a esse momento com estratégia clara, infraestrutura preparada e equipes capacitadas estarão em posição de liderança. As que ainda estiverem no modo de experimentação terão muito terreno a recuperar.
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