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A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta voltada à automação de tarefas e passou a ocupar um papel estratégico na transformação das empresas. No segundo episódio da terceira temporada do Tech & Touch, do portal Itshow, o debate conduzido por Felipe Navarro trouxe uma discussão sobre como a IA está mudando processos, competências profissionais e estruturas organizacionais, especialmente nas áreas de marketing, vendas, customer success (CS) e go to market (GTM).
Com o tema “A IA não vai roubar o seu emprego, mas vai mudar o seu organograma”, o episódio recebeu Jessica Danesi, profissional com experiência em tecnologia, marketing, estratégias de geração de demanda e aplicação de ferramentas para negócios. A conversa abordou os avanços da inteligência artificial generativa, os erros mais comuns das empresas na adoção da tecnologia e os caminhos para transformar a IA em uma vantagem competitiva.
Segundo Jessica, a principal diferença da inteligência artificial atual em relação a outros movimentos tecnológicos está na capacidade de apoiar atividades que antes dependiam diretamente do raciocínio humano. “A IA tem uma premissa diferente que é a facilitar os processos que anteriormente eram cognitivos humanos”, explicou Jessica Danesi durante o episódio.
Para ela, embora a tecnologia também contribua para automatizar tarefas repetitivas e burocráticas, o grande impacto está na possibilidade de liberar profissionais para atividades mais estratégicas, como tomada de decisão, inovação e resolução de problemas.
A adoção da IA exige revisão de processos e não apenas novas ferramentas
Um dos principais pontos discutidos no Tech & Touch foi o desafio das empresas que implementam inteligência artificial sem revisar seus próprios processos internos. De acordo com Jessica, muitas organizações buscam incorporar novas tecnologias sem antes avaliar se sua operação está preparada para aproveitar todo o potencial dessas soluções. “Se a gente não muda a nossa maneira de enxergar o trabalho, o nosso workflow de processos, quando a gente implementa uma ferramenta tão inovadora e útil como a inteligência artificial generativa, por exemplo, a gente acaba extraindo muito pouco dela”, afirmou.
A especialista destacou que a inteligência artificial precisa estar conectada a objetivos claros do negócio. A simples disponibilização de ferramentas para colaboradores não garante transformação, principalmente quando não existe uma estratégia definida sobre como a tecnologia será utilizada.
Durante o episódio, Felipe Navarro também trouxe a discussão sobre o papel humano nesse novo cenário, questionando como empresas devem redesenhar responsabilidades, fluxos de aprovação e modelos de trabalho diante da evolução dos agentes de IA.
Governança se torna elemento central para uso seguro da inteligência artificial
Outro ponto de destaque foi a necessidade de criar estruturas de governança para acompanhar a expansão do uso da inteligência artificial dentro das organizações. Com colaboradores utilizando diferentes plataformas e agentes digitais, surge o desafio de definir quais informações podem ser acessadas, quais decisões podem ser automatizadas e onde o julgamento humano continua sendo indispensável.
Jessica ressaltou que decisões envolvendo custos, pessoas e impactos relevantes para a empresa precisam manter uma avaliação humana. “Não podemos nunca eliminar o senso crítico humano e justamente essa visão que a gente teria num processo crítico que envolva dinheiro, que envolva pessoas, que envolva qualquer relação crítica que poderia acarretar algum problema na empresa”, destacou.
A conversa também abordou o crescimento da chamada Shadow AI, quando funcionários utilizam ferramentas de inteligência artificial sem acompanhamento ou orientação da organização. Para Jessica, impedir totalmente esse movimento não é o caminho mais eficiente. “Não adianta proibir. O que funciona é, como qualquer processo de mudança cultural, você trazer informação para o seu funcionário de forma que ele entenda a gravidade de compartilhar esse tipo de informação”, explicou.
Inteligência artificial amplia oportunidades para marketing e vendas
No contexto de GTM, marketing e vendas, o episódio mostrou que a inteligência artificial pode gerar ganhos significativos quando aplicada de forma estratégica. Entre os exemplos discutidos estão a criação de conteúdos, análise de informações, identificação de tendências e apoio à inteligência comercial. Para Jessica, muitas empresas ainda utilizam a IA de maneira limitada, focando apenas em tarefas operacionais.
Ela explicou que equipes comerciais podem aproveitar melhor a tecnologia para analisar informações de mercado, identificar oportunidades e entender movimentos de potenciais clientes, em vez de utilizar a IA apenas para criar mensagens genéricas de prospecção.
Na área de marketing, a especialista destacou que a mudança no comportamento dos consumidores também exige novas estratégias. Com usuários recorrendo cada vez mais a assistentes de inteligência artificial para buscar informações, as empresas precisam compreender como seus conteúdos são encontrados e apresentados nesses ambientes. “A inteligência artificial, primeiro, ajuda a entender onde é que essa informação é buscada, porque ela é um assistente, ela está te auxiliando nessa identificação das fontes de informação”, comentou.
O futuro das empresas depende da combinação entre IA e capacidades humanas
Ao longo do episódio, a discussão reforçou que a inteligência artificial não deve ser encarada apenas como uma substituição de pessoas, mas como uma tecnologia capaz de ampliar capacidades profissionais.
Para Jessica, a preparação das equipes passa pelo desenvolvimento de competências humanas, como pensamento crítico, capacidade de interpretação e resolução de problemas. “A capacitação vem muito no sentido de desenvolver soft skills, muito mais do que desenvolver hard skills”, afirmou.
A especialista também destacou que o papel da liderança será fundamental para conduzir essa mudança, principalmente na comunicação com as equipes e na criação de uma cultura preparada para incorporar a inteligência artificial.
Segundo Jessica, o futuro das organizações estará relacionado à combinação entre tecnologia e julgamento humano. “A IA não vai roubar o seu trabalho, ela vai te ajudar a trabalhar”, concluiu a convidada.

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