Ciberataques globais crescem 48%, com mapa de ameaças digitais destacando phishing, ransomware e riscos da inteligência artificial generativa.

Os ciberataques globais registraram crescimento de 48% em setembro de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Segundo levantamento da Check Point Research, as organizações enfrentaram, em média, 2.803 tentativas de ataque por semana, resultado que representa uma elevação de 16% em relação a agosto. Os números revelam uma intensificação das ameaças digitais, acompanhada pelo aumento das campanhas de phishing, pela expansão do ransomware e pelos riscos associados ao uso corporativo da inteligência artificial generativa.

Entre maio e setembro, a quantidade média de ocorrências semanais passou de 2.055 para 2.803 por organização, crescimento de aproximadamente 36%. A evolução indica uma tendência persistente de pressão sobre a infraestrutura tecnológica das empresas e evidencia desafios para os responsáveis pela segurança da informação, especialmente diante da necessidade de proteger ambientes híbridos, aplicações em nuvem, dispositivos corporativos e ferramentas de IA.

América Latina lidera volume de ciberataques

A América Latina apresentou a maior média regional de ocorrências em setembro, com 3.813 ataques semanais por organização, crescimento de 35% em relação ao mesmo mês de 2025. Na sequência aparecem a África, com 3.701 registros semanais, e a região Ásia-Pacífico, com 3.593. Embora tenha apresentado um volume absoluto inferior ao das regiões mais afetadas, a Europa registrou a maior aceleração proporcional, com crescimento anual de 61%. Na América do Norte, o aumento chegou a 50%.

O cenário latino-americano merece atenção adicional devido à expansão dos serviços digitais e à dependência crescente de sistemas conectados. Para empresas brasileiras, os resultados reforçam a importância de revisar estratégias de proteção de dados, gerenciamento de vulnerabilidades e resposta a incidentes. Os indicadores regionais, entretanto, não permitem concluir que todos os países apresentaram o mesmo nível de exposição.

Educação, telecomunicações e governo concentram ataques

O setor educacional permaneceu como o mais atingido mundialmente, registrando média de 6.656 ataques semanais por organização, aumento de 59% na comparação anual.

Os três setores mais afetados foram:

  • Educação: 6.656 ataques semanais, crescimento de 59%.
  • Telecomunicações: 3.483 ataques por semana, aumento de 29%.
  • Governo: 3.443 ocorrências semanais, elevação de 37%.

No caso das instituições de ensino, o crescimento coincidiu com o início do calendário acadêmico em diferentes países, período marcado pela ampliação do acesso de estudantes, professores e funcionários aos sistemas institucionais. Esses segmentos compartilham características que ampliam a complexidade da defesa digital, incluindo grande quantidade de usuários, serviços essenciais, infraestrutura distribuída e necessidade de disponibilidade contínua.

Inteligência artificial generativa amplia exposição de informações

Além do crescimento das ofensivas tradicionais, o estudo identificou riscos relacionados ao compartilhamento de informações confidenciais em plataformas de IA generativa. Em setembro, uma em cada 39 solicitações realizadas em ferramentas corporativas apresentou alto risco de vazamento de dados sensíveis. Esse comportamento foi identificado em 89% das organizações que utilizam regularmente essas soluções.

Outros 14% dos comandos analisados continham informações potencialmente confidenciais. O levantamento identificou ainda que cada usuário realizou, em média, 131 solicitações durante o mês, enquanto as empresas utilizaram aproximadamente oito ferramentas diferentes. Na América Latina, a exposição foi ainda mais elevada: uma em cada 25 solicitações apresentou alto risco, equivalente a 4%, acima da média mundial de aproximadamente 2,5%.

Entre os tipos de dados mais frequentemente identificados estão:

  • Infraestrutura de TI: presentes em 71% das organizações analisadas.
  • Informações financeiras: identificadas em 70%.
  • Registros jurídicos e regulatórios: observados em 68%.
  • Dados de funcionários e recursos humanos: encontrados em 62%.
  • Informações pessoais identificáveis: presentes em 60%.

Esses percentuais representam a proporção de organizações nas quais cada categoria foi detectada, não a quantidade de solicitações comprometidas. A presença de dados sensíveis nos comandos não significa necessariamente que houve um vazamento confirmado, mas demonstra a necessidade de estabelecer políticas de uso, classificação das informações e mecanismos de prevenção contra exposição indevida.

Phishing avança e links maliciosos dominam campanhas

O phishing corporativo também apresentou crescimento durante setembro. De acordo com a pesquisa, um em cada 91 e-mails analisados foi classificado como tentativa de phishing, proporção equivalente a 1,1%. Em agosto, a relação era de uma mensagem maliciosa a cada 112 e-mails. Entre as mensagens identificadas, 81% continham links potencialmente perigosos, enquanto 11% apresentavam anexos.

A predominância dos endereços fraudulentos evidencia a utilização de páginas falsas e mecanismos de engenharia social para induzir usuários ao fornecimento de credenciais ou à execução de ações indevidas. Associações e organizações sem fins lucrativos registraram a maior taxa setorial, com 2,17% das mensagens classificadas como phishing. Construção e engenharia apareceram na sequência, com 2,05%, enquanto o setor imobiliário apresentou 1,38%.

Para os líderes de tecnologia, os resultados reforçam a necessidade de combinar autenticação multifator, proteção de e-mail, conscientização dos colaboradores e monitoramento contínuo das tentativas de fraude.

Ransomware cresce 53% e ameaça continuidade operacional

As campanhas de ransomware também mantiveram trajetória de crescimento. Em setembro, foram registrados 824 ataques divulgados publicamente, aumento de 53% em relação ao mesmo período de 2025. O setor de serviços empresariais concentrou 31,3% das vítimas identificadas, seguido por bens e serviços de consumo, com 15,2%, e manufatura industrial, com 11%.

Entre os grupos envolvidos nesse cenário estão The Gentlemen, Qilin e Akira, conhecidos pela atuação em operações de extorsão digital. A pesquisa utiliza informações publicadas em sites mantidos por grupos criminosos, o que significa que os números não representam necessariamente a totalidade dos incidentes ocorridos.

A continuidade operacional permanece entre as principais preocupações relacionadas a esse tipo de ameaça, especialmente em empresas que dependem de sistemas digitais para executar processos essenciais. Medidas como segmentação de redes, cópias de segurança isoladas, testes de recuperação e controle de acessos privilegiados contribuem para limitar os impactos de possíveis comprometimentos.

Ciberataques Globais: Crescimento das ameaças exige revisão das estratégias de cibersegurança

A combinação entre aumento das tentativas de invasão, disseminação de fraudes por e-mail e uso crescente de ferramentas inteligentes amplia os desafios enfrentados pelos gestores de tecnologia. Para CIOs, CISOs e demais responsáveis pela infraestrutura corporativa, a pesquisa evidencia a necessidade de integrar governança de IA, gestão de identidades, monitoramento de ameaças e políticas de segurança da informação.

Diante desse cenário, as organizações precisam estabelecer políticas claras para a utilização de ferramentas de inteligência artificial, reforçar os mecanismos de prevenção contra o vazamento de informações confidenciais e manter o monitoramento contínuo de atividades suspeitas em redes e aplicações. A proteção contra phishing e comprometimento de credenciais também deve ser acompanhada pela revisão periódica dos planos de resposta a incidentes e recuperação de desastres, contribuindo para reduzir a exposição às ameaças e preservar a continuidade operacional.

O levantamento de setembro de 2026 indica que a evolução dos riscos digitais não está restrita a um único setor ou região. A ampliação da superfície de ataque e a incorporação de novas aplicações tornam a prevenção, a visibilidade e a capacidade de resposta componentes fundamentais para a resiliência das organizações.

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