
Um estudo inédito da ABES em parceria com a IDC, apresentado em agosto de 2026, revela que 95% das empresas brasileiras com mais de 100 funcionários já utilizam ou planejam adotar Inteligência Artificial em suas operações sinalizando que a tecnologia deixou de ser diferencial para se tornar infraestrutura crítica de negócios no país.
O Brasil entrou de vez na era da Inteligência Artificial corporativa. Um levantamento inédito conduzido pela ABES em parceria com a IDC, apresentado em live exclusiva no dia 6 de agosto de 2026, mostra que 95% das empresas brasileiras com mais de 100 funcionários já utilizam ou pretendem adotar IA nos próximos 12 meses. O dado é o mais expressivo da pesquisa ‘Estratégias Digitais de Alta Performance’ e confirma uma virada histórica: a tecnologia saiu do campo do experimento e entrou definitivamente na base das operações digitais.
IA supera nuvem e segurança como prioridade máxima
Pela primeira vez, a Inteligência Artificial ultrapassou cibersegurança e computação em nuvem como principal tema na agenda estratégica das empresas nacionais. O movimento reflete uma mudança de postura: líderes de TI deixaram de tratar IA como projeto-piloto e passaram a encarar a tecnologia como alicerce competitivo.
O reflexo financeiro é imediato. Oito em cada dez executivos precisamente 86% dos líderes empresariais ouvidos afirmaram que planejam ampliar os investimentos em TI em 2026 em relação ao ano anterior. Segundo projeções da IDC citadas no estudo, os gastos brasileiros em Inteligência Artificial devem superar US$ 3,4 bilhões ainda em 2026, com crescimento superior a 30% ao ano.
Agentes inteligentes: a próxima fronteira já começou
Se a adoção de Inteligência Artificial já avança em larga escala, uma camada mais sofisticada da tecnologia ganha força rapidamente. O estudo aponta que 40% das empresas brasileiras já investem em agentes inteligentes sistemas capazes de executar tarefas de forma autônoma, sem intervenção humana constante. Outras 33% afirmam que pretendem iniciar projetos com essa tecnologia nos próximos 12 meses.
Somados, esses números indicam que, até meados de 2027, cerca de 73% do mercado corporativo brasileiro estará, em algum grau, operando com agentes de IA. O dado posiciona o Brasil como um dos mercados mais acelerados na adoção dessa tecnologia na América Latina, região na qual o país já concentra 38,4% de todo o mercado de TI, ante 34,7% em 2024.
Governança de dados: o maior gargalo para escalar IA
A velocidade da adoção, porém, escancarou um problema estrutural. A governança de dados desponta como o principal obstáculo para escalar a Inteligência Artificial com segurança e eficiência dentro das organizações. Sem dados bem organizados, catalogados e protegidos, os modelos de IA perdem precisão e o risco operacional e regulatório aumenta.

O desafio é especialmente crítico para equipes de cibersegurança. À medida que a IA passa a processar volumes maiores de dados sensíveis, a superfície de ataque cresce. O reforço da segurança digital figura entre os principais objetivos declarados pelas empresas ao adotar Inteligência Artificial mas a governança ainda precisa acompanhar o ritmo da implantação tecnológica.
O setor financeiro, que responde por 25,4% de todo o mercado de software e serviços no Brasil, é um dos mais expostos a esse dilema: altamente regulado e com dados extremamente sensíveis, precisa avançar em IA sem abrir mão de conformidade e controle.
Mercado de TI cresce, mas faltam profissionais
O cenário macroeconômico do setor reforça o otimismo. O mercado brasileiro de TI movimentou US$ 67,8 bilhões em 2025, registrando crescimento de 18,5% — bem acima da média global de 14,1%. O Brasil encerrou o ano com 41.613 empresas atuando em software e serviços, consolidando a liderança no mercado de TI latino-americano.
Mas o crescimento acelerado expõe uma contradição preocupante. O país forma cerca de 53 mil profissionais de TI por ano, enquanto a demanda do mercado chega a 159 mil. O déficit de 106 mil especialistas anuais representa um dos maiores freios estruturais à expansão da Inteligência Artificial nas empresas. A consequência já é sentida: 65% das empresas de tecnologia relatam dificuldades para encontrar profissionais com competências especializadas.

A escassez atinge de forma ainda mais aguda as áreas de IA, segurança da informação e engenharia de dados — justamente as disciplinas mais demandadas pelo novo ciclo tecnológico.
Governo reage com plano bilionário
Diante desse cenário, o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) prevê investimentos de R$ 1,76 bilhão até 2028, com foco em formação de talentos, infraestrutura e soberania tecnológica. A iniciativa reconhece um risco real: o Brasil lidera o consumo de Inteligência Artificial na América Latina, mas ainda depende majoritariamente de plataformas e infraestrutura desenvolvidas fora do país.
A expansão acelerada do setor também pressiona a infraestrutura energética nacional. O crescimento dos data centers necessários para sustentar o processamento de IA em escala — exige investimentos em energia e conectividade que ainda estão em fase de planejamento em diversas regiões do país.
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