
A expansão de ambientes em cloud, dados, inteligência artificial e infraestruturas distribuídas está tornando mais difícil separar decisões de infraestrutura das estratégias de segurança. Para Fernando Nachtigall, CEO da InfraTI, esse modelo deixou de acompanhar a realidade das organizações, especialmente diante do crescimento da superfície de ataque e da variedade de formas utilizadas para comprometer sistemas.
Em entrevista ao Itshow durante o lançamento do SecOps Summit 2027, Fernando destacou que novas tecnologias também estão acelerando a evolução das ameaças, inclusive com o uso de inteligência artificial em ações ofensivas.
Superfície de ataque amplia risco para o negócio
Segundo Fernando, ambientes cada vez mais distribuídos aumentam o número de pontos que precisam ser protegidos.
Aplicações, serviços em nuvem, dispositivos, redes e diferentes formas de acesso passam a compor uma superfície de ataque mais ampla e difícil de controlar. A inteligência artificial acrescenta complexidade ao cenário ao acelerar a criação e a utilização de novas técnicas ofensivas.
Para CIOs, CISOs e demais lideranças de tecnologia, a consequência é direta: decisões de infraestrutura também passam a ser decisões de risco.
Quanto maior a distribuição dos ambientes, maior a necessidade de pensar segurança desde a arquitetura, e não apenas depois que sistemas e serviços já estão em produção.
Segurança precisa nascer junto com a infraestrutura
Fernando chamou atenção para uma separação que durante muitos anos foi comum nas empresas.
Infraestrutura e segurança eram tratadas como áreas distintas, com equipes, responsabilidades e interlocutores diferentes. Segundo ele, essa divisão vem perdendo espaço.
A avaliação é que soluções de infraestrutura precisam incorporar segurança desde sua concepção, em vez de depender apenas de ferramentas adicionadas posteriormente.
“Toda solução de infraestrutura precisa ter segurança embarcada”, afirmou durante a entrevista.
Essa integração se torna ainda mais importante quando diferentes dispositivos passam a acessar sistemas corporativos, incluindo equipamentos conectados a redes industriais e ativos utilizados fora do ambiente tradicional da empresa.
Na visão de Fernando, a cooperação entre infraestrutura e segurança é essencial para padronizar políticas e melhorar a capacidade de acompanhamento dos ambientes.
Complexidade operacional também aumenta exposição
O crescimento do número de ameaças trouxe consigo uma expansão das soluções utilizadas para detectá-las e combatê-las.
Segundo Fernando, esse cenário criou ambientes com uma quantidade de ferramentas e informações que se tornam difíceis de administrar apenas com estruturas técnicas tradicionais.
Nesse contexto, automação e orquestração ganham importância não apenas por eficiência operacional, mas pela necessidade de responder com maior velocidade a eventos de segurança.
Para as lideranças, o desafio deixa de ser simplesmente adquirir novas ferramentas e passa a envolver integração, visibilidade e capacidade de resposta.
Sem coordenação entre os diferentes componentes da infraestrutura, o aumento de soluções pode adicionar complexidade sem necessariamente reduzir o risco.

Proteção dos dados deve orientar investimentos
Ao ser questionado sobre quais investimentos deveriam receber prioridade para reduzir riscos nos próximos anos, Fernando direcionou a discussão para a proteção dos dados.
A mensagem central é a preocupação em evitar perda, extração indevida e comprometimento de informações corporativas.
A perspectiva muda a forma de avaliar investimentos em tecnologia.
Infraestrutura, sistemas e cibersegurança não são fins isolados. Eles fazem parte de uma arquitetura cuja função também é garantir disponibilidade, integridade e proteção das informações da organização.
Para conselhos e lideranças executivas, isso aproxima segurança de temas como continuidade operacional, governança e exposição financeira.
Infraestrutura passa a fazer parte da estratégia de risco
A entrevista de Fernando Nachtigall reforça uma mudança na forma como as organizações precisam estruturar decisões de tecnologia.
Com ambientes distribuídos, novos dispositivos, inteligência artificial e ameaças em evolução, separar infraestrutura de segurança pode criar lacunas de proteção e dificultar a gestão dos riscos.
A prioridade passa a ser construir ambientes nos quais segurança esteja integrada desde o planejamento, com políticas consistentes, maior visibilidade e capacidade de resposta.
Para CIOs e CISOs, infraestrutura e cibersegurança deixam de ser duas agendas paralelas e passam a fazer parte da mesma estratégia de continuidade, dados e risco de negócio.
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