Consumo energia data centers cresce 26% em 2026

O consumo mundial de eletricidade em data centers deve crescer 26% em 2026, atingindo 565 TWh ante 447 TWh registrados em 2025, segundo previsão divulgada pelo Gartner em junho de 2026. O principal motor desse avanço são os servidores otimizados para inteligência artificial, cujo consumo deve saltar 84% no mesmo período, chegando a 175 TWh. O fenômeno transforma a disponibilidade de energia elétrica no maior gargalo da corrida global pela IA e coloca líderes de infraestrutura de TI diante de decisões urgentes sobre capacidade, eficiência e continuidade operacional.

O consumo de energia em data centers está prestes a bater um recorde histórico. De acordo com o Gartner, a demanda mundial de eletricidade nesse segmento deve crescer 26% em 2026, saltando de 447 TWh para 565 TWh. Para quem lidera infraestrutura de TI em grandes empresas, o número não é apenas estatística: é um sinal de alerta sobre um gargalo que pode limitar operações nos próximos anos.

IA é o motor e o problema

Por trás desse crescimento, há um nome: inteligência artificial. Os servidores otimizados para cargas de trabalho de IA devem registrar aumento de 84% no consumo elétrico em 2026, atingindo 175 TWh. Em 2025, a alta já havia sido de 83%. Não se trata de uma tendência gradual é uma aceleração contínua e sem precedentes.

Em termos de participação, os servidores de IA representarão 31% de todo o consumo de energia em data centers em 2026. Em 2025, esse índice era de aproximadamente 20%. A velocidade com que essa fatia cresce deixa pouco espaço para inércia.

Os servidores convencionais, por sua vez, mal aparecem nessa equação. O crescimento desse segmento foi inferior a 1% em 2025 e a projeção para 2026 é de apenas 1,2%. O contraste com o ritmo da IA é gritante e revela uma migração acelerada de prioridades de investimento no setor.

2027 marca a virada: IA ultrapassa servidores convencionais

O Gartner aponta que, a partir de 2027, o consumo elétrico de servidores de IA superará o dos servidores tradicionais pela primeira vez: 258 TWh contra 200 TWh. É um ponto de inflexão que os executivos de TI precisam antecipar já no planejamento de capacidade atual.

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A demanda de potência instalada nos data centers acompanha esse ritmo. Em 2026, deve atingir 132 GW, ante 104 GW em 2025 crescimento de 27%. Até 2030, a projeção chega a 290 GW, com consumo total de eletricidade ultrapassando 1.200 TWh. Nesse cenário, o Gartner é direto: o fornecimento da rede elétrica convencional não será suficiente para suportar novos data centers.

Energia vira campo estratégico na corrida pela IA

O relatório do Gartner introduz uma mudança de perspectiva que deve reconfigurar decisões de investimento no setor: a segurança energética passa a ser o novo campo de batalha da corrida global pela inteligência artificial. A capacidade de escalar operações de IA não depende mais apenas de chips ou software depende de acesso garantido à energia elétrica.

Para líderes de infraestrutura e operações (I&O), isso traduz em pressão concreta. Projetos de expansão de data centers agora precisam considerar, desde a fase de planejamento, a disponibilidade de conexão à rede elétrica. Em regiões onde a capacidade já está saturada, novos empreendimentos podem simplesmente não sair do papel.

Esse é um tema especialmente sensível para operações de cibersegurança. Centros de operações de segurança (SOCs) que funcionam 24 horas por dia, 7 dias por semana, dependem de alta disponibilidade energética. Qualquer instabilidade no fornecimento elétrico se traduz em janelas de vulnerabilidade. O consumo de energia em data centers deixa de ser apenas uma métrica de eficiência e passa a integrar a equação de risco operacional.

O que executivos de TI precisam fazer agora

Diante desse cenário, o Gartner orienta que líderes de I&O priorizem quatro frentes de ação. A primeira é a eficiência energética: revisar o PUE (Power Usage Effectiveness) dos ambientes existentes e identificar oportunidades de otimização antes de planejar qualquer expansão. Cada watt economizado hoje é capacidade disponível amanhã.

A segunda frente envolve os sistemas de refrigeração. Servidores de IA geram densidades de calor muito superiores aos equipamentos convencionais. Soluções de resfriamento líquido e arquiteturas de alta densidade térmica precisam entrar no radar dos responsáveis por infraestrutura física.

A terceira diz respeito ao edge computing. Distribuir parte das cargas de trabalho para nós próximos ao usuário final reduz a pressão sobre data centers centralizados e pode ser uma alternativa inteligente para aliviar a demanda elétrica nos hubs principais.

Por fim, a garantia de acesso à rede elétrica precisa estar na pauta de negociação com fornecedores e autoridades regulatórias. Em mercados onde a capacidade da rede é limitada, quem garantir contratos de fornecimento de energia agora terá vantagem competitiva clara na disputa por infraestrutura de IA.

O recado do Gartner é direto: o crescimento do consumo de energia em data centers não é um problema do futuro. É uma realidade de 2026 que exige decisões em 2026. Empresas que tratarem energia como variável secundária no planejamento de TI correm o risco de ver seus projetos de IA emperrarem não por falta de tecnologia, mas por falta de tomadas.

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