
Estudo da Softtek revela que 77% das organizações ampliaram investimentos em segurança, mas a velocidade das ameaças impulsionadas por inteligência artificial exige novas estratégias de defesa.
A utilização de inteligência artificial em ataques cibernéticos está transformando o cenário de segurança digital e aumentando a pressão sobre empresas que ainda dependem de processos manuais para identificar e conter ameaças. Um estudo divulgado pela Softtek em outubro de 2026 aponta que a automação ofensiva permite executar operações maliciosas em maior escala, enquanto muitas organizações enfrentam dificuldades para acompanhar essa velocidade.
O levantamento Cybersecurity Reinvented: When AI Plays Both Sides mostra que 77% das organizações aumentaram seus orçamentos de cibersegurança em 2025. Entretanto, a ampliação dos investimentos não garante uma resposta mais rápida aos incidentes, especialmente quando os recursos permanecem concentrados em ferramentas que exigem intervenção humana.
A pesquisa destaca uma mudança nas prioridades da segurança corporativa. Além de prevenir invasões, as organizações precisam desenvolver mecanismos capazes de identificar comportamentos suspeitos, avaliar riscos e executar medidas de contenção antes que os criminosos comprometam sistemas e informações.
Inteligência artificial amplia velocidade e sofisticação dos ataques
O avanço da IA generativa permite que criminosos automatizem diferentes etapas das ofensivas digitais, desde a elaboração de mensagens fraudulentas até a personalização de campanhas direcionadas a usuários específicos.
Segundo o estudo da Softtek, 42% dos participantes consideram o phishing desenvolvido com inteligência artificial mais eficaz do que os métodos tradicionais. A tecnologia também possibilita a realização de mais de 100 ataques personalizados por hora, ampliando a capacidade operacional dos agentes maliciosos.
Esse cenário representa um desafio para equipes de segurança que precisam analisar grandes volumes de alertas, investigar comportamentos anormais e determinar quais eventos exigem intervenção imediata.
A diferença entre a velocidade das ofensivas automatizadas e os procedimentos convencionais de defesa pode aumentar o período em que uma organização permanece exposta a atividades suspeitas.
Investimentos em cibersegurança crescem, mas resposta continua limitada
Embora a preocupação com a proteção digital esteja impulsionando os investimentos corporativos, o levantamento identifica dificuldades para converter recursos financeiros em eficiência operacional.
Entre os principais indicadores apresentados pela pesquisa estão:
- 77% das organizações aumentaram os investimentos em cibersegurança em 2025.
- 30% registraram crescimento orçamentário entre 6% e 10%.
- 8% ampliaram os gastos em mais de 15%.
- 42% consideram o phishing com IA mais eficaz do que abordagens tradicionais.
Os números mostram que o crescimento dos investimentos ocorre simultaneamente ao aumento da complexidade das ameaças.
A aquisição de novas soluções, isoladamente, pode não resolver limitações relacionadas à integração entre sistemas, à investigação de incidentes e à capacidade de resposta.
Nesse contexto, a eficiência das operações passa a depender da combinação entre tecnologias de detecção, processos estruturados e mecanismos de automação capazes de reduzir atrasos durante situações de risco.
Migração para a nuvem aumenta exposição das organizações
A expansão dos ambientes digitais também contribui para ampliar os desafios enfrentados pelos departamentos de tecnologia.
De acordo com a pesquisa, 93% das organizações migraram cargas de trabalho para a nuvem nos 12 meses anteriores ao levantamento. Essa transformação aumentou a quantidade de aplicações, identidades digitais e informações que precisam ser monitoradas.
No mesmo período, a proporção de empresas que relataram violações significativas envolvendo ambientes de nuvem passou de 24% para 61%, crescimento relativo de aproximadamente 154%.
A integração entre diferentes infraestruturas exige maior visibilidade sobre permissões de acesso, configurações de segurança e movimentações suspeitas.
No setor industrial, o estudo identificou que 40% das organizações entrevistadas sofreram ataques relacionados à convergência entre tecnologia operacional (OT) e tecnologia da informação (IT).
A conexão entre sistemas corporativos e equipamentos industriais amplia as possibilidades de exploração de vulnerabilidades e pode comprometer processos diretamente relacionados à continuidade das operações.
Automação defensiva pode reduzir impactos financeiros dos incidentes
A necessidade de acompanhar a velocidade dos criminosos está impulsionando a adoção de ferramentas capazes de executar procedimentos de segurança automaticamente.
O estudo aponta que a combinação entre inteligência artificial e automação defensiva pode reduzir em até 80 dias o tempo de resposta a incidentes e diminuir em US$ 1,9 milhão o impacto econômico de uma violação.
Esses resultados representam possibilidades identificadas pelo levantamento, não benefícios garantidos para todas as organizações.
Soluções de detecção e resposta podem correlacionar eventos, identificar atividades incomuns e executar ações previamente autorizadas, como o isolamento de dispositivos comprometidos e a restrição de acessos suspeitos.
A participação humana continua necessária para supervisionar decisões sensíveis, investigar ocorrências complexas e avaliar possíveis consequências operacionais.
O objetivo é diminuir o intervalo entre a identificação de uma ameaça e sua contenção, evitando que processos excessivamente demorados favoreçam a atuação dos invasores.
Zero Trust e resiliência digital ganham importância estratégica
O levantamento da Softtek identifica quatro frentes para fortalecer a proteção corporativa diante das novas ameaças: arquitetura Zero Trust e verificação contínua de identidades, automação das operações defensivas, resiliência incorporada ao desenvolvimento dos sistemas e preparação criptográfica para o cenário pós-quântico.
Essas iniciativas buscam ampliar a capacidade de prevenção e recuperação, considerando que nem todas as tentativas de invasão poderão ser bloqueadas antecipadamente.
A implementação de controles de acesso baseados em identidade, por exemplo, permite restringir privilégios e limitar movimentações não autorizadas dentro das redes empresariais.
Já a integração entre monitoramento contínuo e resposta automatizada pode acelerar a identificação de comportamentos associados a comprometimentos de credenciais, exploração de vulnerabilidades e movimentação lateral.
A resiliência operacional também ganha relevância ao estabelecer mecanismos para manter serviços essenciais disponíveis durante incidentes de segurança.
Tempo de resposta passa a ser indicador estratégico para líderes de TI
A aceleração dos ataques digitais está modificando a maneira como organizações avaliam a maturidade de suas operações de segurança.
Indicadores como tempo médio de detecção, tempo médio de resposta e capacidade de recuperação passam a oferecer informações relevantes sobre a eficiência dos controles implementados.
Para CIOs, CISOs e demais executivos de tecnologia, o desafio envolve alinhar investimentos, processos e responsabilidades para reduzir a exposição dos ambientes corporativos.
A evolução das ameaças exige que a proteção digital acompanhe a transformação das infraestruturas empresariais, especialmente em organizações que operam sistemas distribuídos, aplicações em nuvem e ambientes industriais conectados.
Diante desse cenário, a resposta a incidentes cibernéticos deixa de representar apenas uma atividade técnica e passa a integrar as estratégias de continuidade operacional, gestão de riscos e proteção dos negócios.
A capacidade de agir rapidamente, com controles adequados e decisões fundamentadas, tende a se tornar um diferencial importante para empresas que precisam enfrentar ataques cada vez mais automatizados.

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